Salmo 143: Ensina-me a fazer a tua vontade
O caminho de quem desanima não é ganhar força sozinho, mas reconhecer a fraqueza e pedir que Deus o guie.
- AutorDavi
- GêneroSalmo penitencial
- Versículos12
- TemaOrientação e entrega a Deus em meio à angústia
Neste estudo
História e contexto do Salmo 143
7 palavras que resumem o Salmo 143
- Oração
- Perseguição
- Confissão
- Deserto
- Mãos
- Direção
- Esperança
Para que serve o Salmo 143?
Este salmo também é lido em momentos de:
Salmo de Davi.
1Ouve, Senhor, a minha oração; dá ouvidos à minha súplica! Responde-me pela tua fidelidade e pela tua justiça.
2Não leves o teu servo a julgamento, pois ninguém é justo diante de ti.
3O inimigo persegue-me e esmaga-me ao chão; ele me faz morar nas trevas, como os que há muito morreram.
4O meu espírito desanima; o meu coração está em pânico.
5Eu me recordo dos tempos antigos; medito em todas as tuas obras e considero o que as tuas mãos têm feito.
6Estendo as minhas mãos para ti; como a terra árida, tenho sede de ti. Pausa
7Apressa-te em responder-me, Senhor! O meu espírito se abate. Não escondas de mim o teu rosto, ou serei como os que descem à cova.
8Faz-me ouvir do teu amor leal pela manhã, pois em ti confio. Mostra-me o caminho que devo seguir, pois a ti elevo a minha alma.
9Livra-me dos meus inimigos, Senhor, pois em ti eu me abrigo.
10Ensina-me a fazer a tua vontade, pois tu és o meu Deus; que o teu bondoso Espírito me conduza por terreno plano.
11Preserva-me a vida, Senhor, por causa do teu nome; pela tua justiça, tira-me desta angústia.
12Pelo teu amor leal, aniquila os meus inimigos; destrói todos os meus adversários, pois sou teu servo.
Texto bíblico: Nova Versão Internacional (NVI)
O que o Salmo 143 ensina
O salmista em perigo pede perdão, reconhece sua fraqueza total e clama pela direção de Deus.
Nos versículos 1 a 4, o salmista pede perdão e reconhece que está sendo perseguido e seu espírito desanima.
Nos versículos 5 a 8, ele lembra-se de Deus e estende as mãos sedento, pedindo que o Senhor o guie.
Nos versículos 9 a 12, ele entrega a causa a Deus, pedindo libertação e força para fazer a vontade de Deus.
- Súplica
- Confissão
- Memória
- Mãos abertas
- Orientação
- Entrega
O salmo termina na total dependência: o salmista não pede força em si mesmo, mas que o Espírito de Deus o conduza.
Exegese do Salmo 143
A exegese examina o que o texto dizia aos primeiros leitores.
Ouve, Senhor, minha oração Salmo 143:1
“Ouve, Senhor, a minha oração; dá ouvidos à minha súplica! Responde-me pela tua fidelidade e pela tua justiça.”
O salmista começa sem protestar de injustiça. Pede que Deus o ouça com base não no mérito dele, mas em duas qualidades de Deus: fidelidade (cumprimento das promessas) e justiça (retidão). A estrutura da oração muda tudo: não é sou inocente, portanto ajuda-me, mas tu és fiel, portanto ouve-me.
Pede pela fidelidade e justiça de Deus, não pela inocência do salmista.
Não entres em julgamento Salmo 143:2
“Não leves o teu servo a julgamento, pois ninguém é justo diante de ti.”
Este versículo é citado no Novo Testamento (Romanos 3:20) como base para a doutrina de que ninguém é justificado por obras da lei. O salmista reconhece que nenhum ser humano pode defender-se em tribunal com Deus se a conversa for sobre culpa. Não é desespero, é clareza sobre a realidade.
Uma confissão da impotência humana diante de Deus.
Perseguido e desanimado Salmo 143:3-4
“O inimigo persegue-me e esmaga-me ao chão; ele me faz morar nas trevas, como os que há muito morreram. O meu espírito desanima; o meu coração está em pânico.”
O perseguidor não apenas ataca, mas esmaga o salmista ao chão e o faz viver nas trevas como os mortos. A linguagem é de quem perdeu não só a segurança, mas também a vontade de lutar. O coração está em pânico. Isso é lamento, não rebelião.
A situação externa é cerco; a situação interna é colapso do espírito.
Recordo-me e estendo as mãos Salmo 143:5-6
“Eu me recordo dos tempos antigos; medito em todas as tuas obras e considero o que as tuas mãos têm feito. Estendo as minhas mãos para ti; como a terra árida, tenho sede de ti. Pausa”
Aqui muda o tom. O salmista não fala mais de si, mas de Deus. Recorda tempos antigos quando Deus agiu. Medita nas obras poderosas de Deus feitas por suas mãos. Isso não é escapismo; é terapia: olhar para o que Deus já fez. De repente, o salmista estende as próprias mãos, não em ataque, mas em súplica. É como terra árida tem sede de água; assim o salmista tem sede de Deus.
A memória de Deus leva às mãos abertas.
Apressa-te em responder Salmo 143:7
“Apressa-te em responder-me, Senhor! O meu espírito se abate. Não escondas de mim o teu rosto, ou serei como os que descem à cova.”
Aqui não há paciência; o salmista diz ao Senhor para se apressar. Não por falta de fé, mas porque cada amanhecer traz mais desânimo. Desaparecer como quem desce à cova é morrer de desespero antes do corpo morrer de espada.
A urgência vem da sensação de que o espírito se abate cada dia.
Faz-me ouvir do teu amor leal Salmo 143:8
“Faz-me ouvir do teu amor leal pela manhã, pois em ti confio. Mostra-me o caminho que devo seguir, pois a ti elevo a minha alma.”
Mais um pedido que muda tudo: não só livra-me da perseguição, mas faz-me ouvir do teu amor ao amanhecer. É como um prisioneiro que, antes de sair da cela, precisa ouvir que alguém se importa. O versículo termina com a ti elevo a minha alma, mudando de novo de ele para tu: intimidade em oração.
Pela manhã, a palavra de Deus é alimento do espírito.
Ensina-me e que o teu Espírito me conduza Salmo 143:9-10
“Livra-me dos meus inimigos, Senhor, pois em ti eu me abrigo. Ensina-me a fazer a tua vontade, pois tu és o meu Deus; que o teu bondoso Espírito me conduza por terreno plano.”
Pede libertação de inimigos (versículo 9), mas o pedido central (versículo 10) é duplo: ensina-me a fazer a tua vontade e que o teu Espírito me conduza. O Espírito (hebraico ruach, sopro de Deus) é bom em seu sentido: não força, mas guia pelo terreno plano. O objetivo é não sair da cova sozinho, mas sair feito por Deus.
A libertação que o salmista pede é menor que o aprendizado que suplica.
Preserva a minha vida Salmo 143:11-12
“Preserva-me a vida, Senhor, por causa do teu nome; pela tua justiça, tira-me desta angústia. Pelo teu amor leal, aniquila os meus inimigos; destrói todos os meus adversários, pois sou teu servo.”
Não pede riqueza ou honra, apenas que o Senhor preserve a sua vida. Por que? Pelo nome de Deus (reputação e fidelidade) e pela sua justiça. O salmo termina com o salmista declarando-se servo de Deus, acreditando que Deus age pela sua própria honra, não porque o servo merece.
Termina pedindo que o Senhor permita que o salmista continue existindo para servi-lo.
Hermenêutica do Salmo 143
Como esse texto deve ser entendido e aplicado hoje?
O Salmo 143 é poesia de lamento e confissão, não uma declaração de teologia sistemática. A afirmação ninguém é justo diante de ti não nega que Deus vê diferença entre o justo e o injusto; ela reconhece que qualquer julgamento de Deus exporia nossa culpa. Os cristãos leem esse salmo à luz de 1 João 1:8-9, que convida a confessar os pecados sabendo que Deus é fiel para perdoar.
O retorno do salmista à memória de Deus (versículos 5 a 8) é um movimento psicológico real: quando o pânico toma conta, lembrar de quem Deus é e do que já fez restaura a capacidade de orar. Muita gente deprimida ou perseguida volta àquilo que sabe sobre Deus quando seu próprio espírito não consegue gerar esperança.
A Bíblia não oferece alívio instantâneo para a perseguição ou para o desânimo. O Salmo 143 oferece um caminho: confissão, memória, abertura, pedido de guia. Os cristãos leem na Bíblia que Jesus também pediu orientação ao Pai (Lucas 22:42) e que o Espírito Santo guia pelos caminhos que Deus quer (João 16:13).
Outros textos da Bíblia ligados a este salmo
| Passagem | O que mostra |
|---|---|
| Romanos 3:20 | Ninguém é justificado pelas obras da lei; a lei apenas faz conhecer o pecado. |
| Salmo 25 | Outro salmo de confiança em que o salmista pede ao Senhor que lhe ensine os seus caminhos. |
| Salmo 32 | Um dos salmos penitenciais, onde o salmista confessa o pecado e experiencia perdão. |
| 1 João 1:8-9 | Se confessarmos os nossos pecados, Deus é fiel para nos perdoar. |
| Salmo 37 | Pede confiança em Deus mesmo quando os maus prosperam, andando nos seus caminhos. |
| João 16:13 | O Espírito Santo guia para toda a verdade e mostra o que virá. |
Homilética do Salmo 143
A homilética transforma o estudo em mensagem para ser pregada ou ensinada, útil para pastores, professores de EBD e grupos de estudo.
- Não por justiça, mas por fidelidade Salmo 143:1-2Quando acusações vêm, a defesa não está em nossa inocência, mas na fidelidade de Deus.
- No vale do desânimo Salmo 143:3-4A situação pode esmagar, mas o desânimo do espírito é o problema de verdade.
- Memória restaura mãos abertas Salmo 143:5-6Lembrar o que Deus fez no passado muda a postura do salmista para súplica verdadeira.
- Pela manhã, a palavra Salmo 143:7-8Ouvir que Deus se importa é mais valioso que sair da caverna.
- Libertação menor que aprendizado Salmo 143:9-10O verdadeiro pedido é sair da caverna sabendo fazer a vontade de Deus.
- Deus preserva para glória dele Salmo 143:11-12A vida do servo é valiosa não por si mesma, mas porque serve aos propósitos de Deus.
Aplicação espiritual do Salmo 143
- Você se sente acusado e condenadoLembre-se da fidelidade de Deus, não de sua inocência.
- O espírito desanimaLembre-se de lembrar o que Deus já fez.
- Está numa caverna ou perseguiçãoLembre-se de estender as mãos aberto, como terra sedenta.
- Sente que ninguém se importaLembre-se de pedir ao Senhor que lhe faça ouvir do seu amor leal.
- Não sabe por onde começarLembre-se de pedir orientação, não só fuga.
- Sente que não merece ser ouvidoLembre-se de que o salmista também se sentia assim, mas clamou mesmo assim.
- Quer sair de uma situação de forma egocêntricaLembre-se de pedir que o Espírito o guie pelos caminhos de Deus.
Mensagem centralO caminho de quem desanima não é ganhar força sozinho, mas reconhecer a fraqueza e pedir que Deus o guie.
Oração baseada no Salmo 143
7 títulos de pregações sobre o Salmo 143
- Quando o Espírito Desanima
- Confissão: O Caminho de Volta para Casa
- Memória Restaura a Oração
- Estender as Mãos Como Terra Sedenta
- Pela Manhã, Ouvir do Amor de Deus
- O Espírito de Deus no Terreno Plano
- Perseguição de Fora, Desânimo de Dentro
7 Salmos relacionados ao Salmo 143
- 25Salmo 25: Ensina-me os teus caminhosOrientaçãoEnsina-me os teus caminhos, pois também pede que Deus o guie.
- 32Salmo 32: Feliz quem foi perdoadoPerdãoUm dos salmos penitenciais onde o salmista confessa e experiencia alívio.
- 37Salmo 37: Confie e não se irriteConfiançaConfia em Deus mesmo quando cercado por inimigos e perseguição.
- 42Salmo 42: Como a corça anseia pelas águasDesejoComo o Salmo 143, clama por Deus quando o espírito está caído.
- 130Salmo 130: Das profundezas clamo a tiPerdãoDas profundezas clama a Deus por misericórdia, tema paralelo ao Salmo 143.
- 139Salmo 139: Tu me conheces por inteiroPresençaReconhece que Deus conhece cada movimento, tema de entrega ao Deus que sonda.
- 142Salmo 142: Na caverna, sem ninguémRefúgioDavi escondido clama a Deus, situação semelhante à do Salmo 143.
Perguntas frequentes sobre o Salmo 143
O Salmo 143 é sobre depressão?
Não exatamente. É sobre desânimo provocado por perseguição e por sentir-se acusado. Mas pessoas com depressão reconhecem os versículos 3 e 4 como descrição de seu estado espiritual: quando o pânico toma conta e o espírito não consegue se animar.
Por que o salmista diz ninguém é justo diante de ti?
Porque ele sabe que se Deus o julgasse apenas por mérito, não haveria base para pedido. A confissão abre a porta para o apelo: já que ninguém é justo, que Deus o ouça pela sua fidelidade, não pela inocência do salmista.
O que significa como a terra árida, tenho sede de ti?
É uma das imagens mais poéticas da Bíblia. Como a terra ressequida depois de seca não consegue absorver uma gota de chuva, ele tem a mesma urgência por Deus.
Qual é a diferença entre pedir libertação de inimigos e pedir para o Espírito o guiar?
No versículo 9 pede fuga da espada. No 10 pede aprendizado e guia. É mais profundo: não quer sair da caverna ferido por fugir mal, quer sair sabendo fazer a vontade de Deus.
Por que o salmo termina com sou teu servo?
Porque o salmista deixou de tentar se defender e passou a depender de Deus. Servo não significa escravo, significa alguém que confia a vida inteira a quem o possui.
Como usar este salmo em oração?
Leia lentamente e pare em cada versículo. Se sente perseguição (interna ou externa), diga Senhor, não leves-me a julgamento. Se está desanimado, diga faz-me ouvir do teu amor leal. Se não sabe por onde começar, diga ensina-me a fazer a tua vontade.
Este é um salmo de lamento ou de louvor?
É um salmo de lamento que termina em confiança. O salmista não louva alegre; ele chora pedindo orientação. Mas ao final deixou a causa nas mãos de Deus e confessa sou teu servo, o que é um ato de fé.