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Salmo

Salmo 2: O Rei escolhido por Deus

Em uma frase

Deus estabeleceu seu Rei e convida todos os povos a deixarem a rebelião e encontrarem bênção em refúgio.

Neste estudo
  1. História
  2. Para que serve
  3. Texto bíblico
  4. O que ensina
  5. Exegese
  6. Hermenêutica
  7. Homilética (para pregadores)
  8. Aplicação
  9. Oração
  10. Pregações
  11. Salmos relacionados
  12. Perguntas frequentes

História e contexto do Salmo 2

7 palavras que resumem o Salmo 2

  1. Confiança
  2. Autoridade
  3. Rebelião
  4. Riso
  5. Trono
  6. Refúgio
  7. Bênção

Para que serve o Salmo 2?

Este salmo também é lido em momentos de:

Salmo 2 NVI

1Por que se amotinam1 as nações e os povos tramam em vão?

2Os reis da terra tomam posição, e os governantes conspiram unidos contra o Senhor e contra o seu ungido, dizendo:

3“Façamos em pedaços as correntes deles, lancemos de nós as suas algemas!”.

4Aquele que está entronizado nos céus ri; o Senhor põe-se a caçoar deles.

5Na sua ira os repreende e no seu furor os aterroriza, dizendo:

6“Eu mesmo estabeleci o meu rei em Sião, no meu santo monte”.

7Proclamarei o decreto do Senhor. Ele me disse: “Você é meu filho; eu hoje o gerei.

8Peça-me, e eu lhe darei as nações como herança e os confins da terra como sua propriedade.

9Você as quebrará com vara1 de ferro e as despedaçará como a um vaso de barro”.

10Por isso, ó reis, sejam prudentes; aceitem a advertência, autoridades da terra.

11Sirvam ao Senhor com temor; exultem com tremor.

12Beijem o filho,1 para que ele não se ire e vocês não sejam destruídos pelo caminho, pois, em um instante, acende-se a sua ira. Bem-aventurados todos os que nele se refugiam!

  1. 1. A Septuaginta traz se enfurecem. ↩
  2. 9. Ou as governarás com cetro. ↩
  3. 12. O significado dos versículos 11 e 12 em hebraico é incerto. ↩

Texto bíblico: Nova Versão Internacional (NVI)

O que o Salmo 2 ensina

O salmo mostra uma rebelião das nações contra o rei ungido de Deus e a resposta impassível de Deus do seu trono.

As nações se agitam: os poderes humanos conspiram contra o ungido de Deus, querendo se libertar, mas seus planos são em vão porque não estão em confronto com um homem qualquer, mas com o Deus que o estabeleceu.

Deus ri e fala: de seu trono, o Senhor não fica indignado nem perde o controle. Ri deles calmamente, repreende-os com ira e então declara quem realmente governa: o seu rei em Sião.

Uma decisão é oferecida: aos povos que se levantaram, Deus oferece uma escolha através do seu rei: servir com reverência e encontrar bênção em refúgio, ou permanecer na rebelião e enfrentar a destruição.

  1. Rebelião
  2. Riso divino
  3. Decreto do Rei
  4. Oferecimento de refúgio
  5. Bênção

Quem se curva diante do Rei de Deus encontra proteção; quem resiste encontra resistência.

Exegese do Salmo 2

A exegese examina o que o texto dizia aos primeiros leitores.

A rebelião das nações Salmo 2:1-3

“Por que se amotinam as nações e os povos tramam em vão? Os reis da terra tomam posição, e os governantes conspiram unidos contra o Senhor e contra o seu ungido, dizendo: “Façamos em pedaços as correntes deles, lancemos de nós as suas algemas!”.”

O salmo abre com três perguntas que não esperam resposta verdadeira: “Por que se amotinam as nações?” e “Por que os povos tramam em vão?”. A palavra hebraica traduzida por “amotinam” pode também significar “enfurecem”. É como se o salmista visse uma agitação frenética sem base na realidade.

Os “reis da terra” e os “governantes” conspiram unidos contra o Senhor e contra o seu ungido. Essa conspiração é contra nada menos que o próprio Deus. O texto mostra três grupos: as nações agitadas, os reis e os governantes. Todos unidos em uma ilusão.

“Façamos em pedaços as correntes deles, lancemos de nós as suas algemas” mostra o grito dos rebeldes. Eles veem a ordem de Deus como correntes e algemas. Querem liberdade do Deus que os criou. Mas essa “liberdade” é a perdição.

Os planos humanos contra Deus são sempre em vão.

O riso de Deus Salmo 2:4-5

“Aquele que está entronizado nos céus ri; o Senhor põe-se a caçoar deles. Na sua ira os repreende e no seu furor os aterroriza, dizendo:”

“Aquele que está entronizado nos céus ri.” A palavra para “trono” é mais forte que apenas um assento. É o lugar de governo absoluto. Deus vê toda a conspiração humana de uma altura a que os rebeldes nunca chegarão.

O riso de Deus não é zombaria maldosa. É a tranquilidade de quem sabe que nenhum plano humano consegue afetar sua autoridade. É como ver uma criança traçar planos grandiosos enquanto se comporta como criança.

“Na sua ira os repreende e no seu furor os aterroriza.” Após o riso vem a palavra firme. A ira e o furor de Deus não são caprichos emocionais, mas a resposta de um Juiz justo àqueles que se levantam contra a criação e contra o seu criador.

Deus não teme nem se agita. Sua resposta é absoluta.

O decreto do Senhor Salmo 2:6-7

““Eu mesmo estabeleci o meu rei em Sião, no meu santo monte”. Proclamarei o decreto do Senhor. Ele me disse: “Você é meu filho; eu hoje o gerei.”

“Eu mesmo estabeleci o meu rei em Sião, no meu santo monte.” Enquanto os homens conspiram, Deus simplesmente estabeleceu. O tempo verbal é de ação já consumada. Não é uma promessa para o futuro, é uma realidade presente. Nenhuma conspiração humana desconstitui a decisão de Deus.

“Sião” é o monte onde estava Jerusalém, a capital. É o símbolo do povo de Deus na terra. Deus colocou seu rei ali, visível, real, estabelecido.

“Proclamarei o decreto do Senhor” marca uma mudança de perspectiva. Agora é o rei que fala, ou talvez é Deus que continua falando através do rei. “Você é meu filho; eu hoje o gerei” conecta o rei à filiação de Deus. Todos nós fomos criados por Deus, mas essa filiação especial fala de uma relação de governo, de autoridade delegada.

Depois da ira vem o decreto: Deus estabelece seu rei.

A herança do Rei Salmo 2:8-9

“Peça-me, e eu lhe darei as nações como herança e os confins da terra como sua propriedade. Você as quebrará com vara de ferro e as despedaçará como a um vaso de barro”.”

“Peça-me, e eu lhe darei as nações como herança e os confins da terra como sua propriedade.” A promessa é de autoridade sobre todas as nações. Não é um reino restrito a um povo, mas universal.

“Você as quebrará com vara de ferro e as despedaçará como a um vaso de barro.” A vara de ferro fala de governo inflexível. O vaso de barro, uma vez quebrado, não se reconstrói. Essa linguagem é severa, mas é porque fala de julgamento sobre aqueles que rejeitam a autoridade estabelecida por Deus.

O poder dado ao Rei é absoluto, mas é dado para executar a justiça de Deus.

A chamada à submissão Salmo 2:10-12

“Por isso, ó reis, sejam prudentes; aceitem a advertência, autoridades da terra. Sirvam ao Senhor com temor; exultem com tremor. Beijem o filho, para que ele não se ire e vocês não sejam destruídos pelo caminho, pois, em um instante, acende-se a sua ira. Bem-aventurados todos os que nele se refugiam!”

“Por isso, ó reis, sejam prudentes; aceitem a advertência, autoridades da terra.” Aqueles mesmos reis que tramavam agora recebem um convite à sabedoria. Podem ainda mudar de caminho. Ser prudente nesse contexto significa reconhecer quem realmente governa.

“Sirvam ao Senhor com temor; exultem com tremor.” Servir com temor e exultar com tremor podem parecer contradição, mas não. É reconhecer que o Senhor é grande e digno de reverência, ao mesmo tempo que há alegria em estar do lado dele, não contra ele.

“Beijem o filho, para que ele não se ire e vocês não sejam destruídos pelo caminho.” Beijar o filho é um gesto de submissão e lealdade. É reconhecer a autoridade dele. “Pois, em um instante, acende-se a sua ira.” Não há tempo a perder. A chance de mudança está ali, mas a ira pode se acender rapidamente.

“Bem-aventurados todos os que nele se refugiam!” A última palavra do salmo é de bênção. Não para os rebeldes, mas para aqueles que buscam refúgio no rei ungido. A mesma ira que destrói os rebeldes protege os que confiam.

A rebelião levou à ira, mas há ainda chance de escolha.

Hermenêutica do Salmo 2

A pergunta

Como esse texto deve ser entendido e aplicado hoje?

O Salmo 2 fala de um rei histórico ungido de Deus, mas seus termos são tão elevados que muitos comentaristas veem nele uma profecia de Jesus. O Novo Testamento cita esse salmo várias vezes aplicando-o a Jesus: em Atos 13:33, Paulo cita o versículo 7 sobre a ressurreição de Jesus; Hebreus 1:5 cita o versículo 7 sobre Jesus sendo o Filho de Deus; Apocalipse 2:26-27 aplica a vara de ferro ao reino de Jesus.

Aplicado a qualquer rei em qualquer época, o salmo adverte que nenhum poder humano deve se colocar em rebelião contra Deus. Os governantes são responsáveis diante de Deus, não acima dele. A mensagem é que submeter-se ao Rei de Deus é o caminho da verdadeira prudência e segurança.

Para o individuo hoje, o salmo oferece uma escolha: estar em refúgio no Rei de Deus significa confiar que sua autoridade é real e que ele vence todas as conspirações humanas contra sua causa. Não precisamos temer o que conspira, porque conspiram em vão contra alguém que já venceu.

Outros textos que falam do Rei escolhido por Deus

PassagemO que mostra
2 Samuel 7:12-14Deus promete a Davi um descendente cujo trono será estabelecido para sempre e que ele chamará de filho.
Isaías 9:6-7Profecia de um filho que nascerá com nomes como Conselheiro Maravilhoso e cuja autoridade e paz não terão fim.
Atos 13:33-34Paulo cita o Salmo 2 e aplica a ressurreição de Jesus como o cumprimento da promessa de que Deus o gerou.
Hebreus 1:5O escritor de Hebreus cita o Salmo 2 para mostrar a superioridade de Jesus sobre os anjos, pois ele é o Filho que Deus apresenta.
Apocalipse 19:15Jesus aparece como rei que governa as nações com vara de ferro, cumprindo a visão do Salmo 2.

Homilética do Salmo 2

A homilética transforma o estudo em mensagem para ser pregada ou ensinada, útil para pastores, professores de EBD e grupos de estudo.

  1. A futilidade da rebelião Salmo 2:1-3Qualquer conspiração contra Deus é tramada em vão, mas isso não impede que os rebeldes tentem.
  2. O riso de Deus Salmo 2:4-5Deus não é surpreendido ou derrotado pelos planos humanos; sua resposta é a repreensão firme.
  3. O decreto estabelecido Salmo 2:6-7Enquanto homens conspiram, Deus estabelece seu Rei, e sua decisão é imutável.
  4. O poder conferido Salmo 2:8-9Ao Rei é dado poder sobre todas as nações para executar a justiça de Deus.
  5. A chamada à prudência Salmo 2:10-11Aos rebeldes oferece-se ainda a chance de virar: serem prudentes e servir com temor.
  6. A bênção do refúgio Salmo 2:12Quem se refugia no Rei de Deus encontra proteção da ira que se acende contra os rebeldes.

Aplicação espiritual do Salmo 2

Mensagem central

Deus estabeleceu seu Rei e convida todos os povos a deixarem a rebelião e encontrarem bênção em refúgio.

As conspiração humanas podem agitar-se, mas são tramadas em vão contra aquele que está entronizado nos céus.

Oração baseada no Salmo 2

7 títulos de pregações sobre o Salmo 2

  1. O Trono que Ninguém Abala
  2. A Rebelião em Vão das Nações
  3. O Riso de Deus
  4. Sião: O Monte Onde Deus Estabeleceu seu Rei
  5. Prudência: Mudar de Lado Enquanto Há Tempo
  6. O Refúgio que Nenhuma Conspiração Abala
  7. Beijar o Filho: O Gesto de Submissão que Traz Bênção

7 Salmos relacionados ao Salmo 2

Perguntas frequentes sobre o Salmo 2

O que significa “Eu mesmo estabeleci o meu rei em Sião”?

Sião é o nome da montanha de Jerusalém, símbolo do povo de Deus. Quando Deus diz que estabeleceu seu Rei ali, está dizendo que essa decisão é sua, não humana. Nenhuma eleição, nenhuma conspiração, nenhuma revolução pode desconstitituir o que Deus estabeleceu.

Por que Deus ri dos planos das nações?

O riso de Deus não é maldoso. É a reação de quem vê alguém tentar fazer algo impossível. Como se uma formiga declarasse guerra ao universo. Deus ri porque já sabe o desfecho. Não há suspeita ou medo em seu riso. Há certeza.

Quem é o Filho mencionado no versículo 7?

O Salmo foi escrito sobre um rei ungido de Deus. Os cristãos leem esse versículo como uma profecia de Jesus, porque o Novo Testamento o aplica a Jesus. Mas para qualquer rei em qualquer época, ele era adotado como filho de Deus, recebendo autoridade para governar em nome dele.

O que significa “você as quebrará com vara de ferro”?

Vara de ferro fala de governo rígido, inflexível. Quebrar um vaso de barro significa destruição completa. Essa linguagem descreve o julgamento sobre os que se recusam a submeter-se. Não é suavidade, é julgamento.

Como eu posso me refugiar no Rei?

Buscar refúgio significa confiar nele, submeter-se a sua autoridade, seguir seu caminho em vez de trilhar a rebelião. É uma decisão de virar do lado do Rei que Deus estabeleceu e permanecer nele mesmo que pressões externas digam o contrário.

O versículo 4 diz que Deus ri. Deus tem emoção?

Deus não é emocional no sentido de perder o controle. Mas ele tem reações às ações das criaturas. O riso aqui representa a tranquilidade de quem sabe que nenhum plano humano o surpreenderá. É a resposta de um Juiz onisciente que vê todas as coisas.

O Salmo 2 promete que os que servem a Deus não enfrentarão oposição?

Não. Promete bênção e refúgio para os que se refugiam nele, não ausência de oposição. Pode haver oposição, pressão, mas o refúgio permanece. É como estar em uma fortaleza enquanto há agitação lá fora. A segurança não está em não ter inimigos, mas em estar protegido deles.