Salmo 22: Meu Deus, por que me abandonaste?
Quem é abandonado e clama para Deus pode passar pela dor sendo ouvido e encontrar no fim o caminho do louvor.
- AutorDavi
- GêneroSalmo de lamento com volta à confiança
- Versículos31
- TemaDo abandono ao louvor
Neste estudo
História e contexto do Salmo 22
7 palavras que resumem o Salmo 22
- Abandono
- Sofrimento
- Confiança
- Louvor
- Presença
- Entrega
- Redenção
Para que serve o Salmo 22?
Este salmo também é lido em momentos de:
Para o mestre de música. De acordo com a melodia “A corça da manhã”. Salmo de Davi.
1Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste? Por que estás tão longe de salvar-me, tão longe dos meus gritos de angústia?
2Meu Deus! Eu clamo de dia, mas não respondes; de noite, e não recebo alívio!
3Tu, porém, és santo,1 entronizado entre os louvores de Israel.
4Em ti confiaram os nossos antepassados; sim, eles confiaram, e tu os livraste.
5Clamaram a ti, e foram libertos; em ti confiaram e não se decepcionaram.
6Mas eu sou verme, não homem; motivo de zombaria e objeto de desprezo do povo.
7Caçoam de mim todos os que me veem; lançam insultos e balançam a cabeça, dizendo:
8“Recorra ao Senhor! Que o Senhor o liberte! Que ele o livre, já que lhe quer bem!”.
9Contudo, tu mesmo me tiraste do ventre; deste-me segurança aos seios da minha mãe.
10Desde que nasci fui entregue a ti; desde o ventre materno és o meu Deus.
11Não fiques distante de mim, pois a angústia está perto e não há ninguém que me socorra.
12Muitos touros me cercam; sim, rodeiam-me os poderosos touros de Basã.
13Como leão voraz que ruge, eles escancaram a boca contra mim.
14Como água me derramei, e todos os meus ossos estão desconjuntados. O meu coração se tornou como cera; derreteu-se no meu íntimo.
15O meu vigor secou-se como um caco de barro, e a minha língua gruda no céu da boca; deixaste-me no pó, à beira da morte.
16Cães me rodearam! Um bando de homens maus me cercou! Perfuraram1 as minhas mãos e os meus pés.
17Posso contar todos os meus ossos, mas eles me encaram com desprezo.
18Dividiram as minhas roupas entre si e lançaram sortes pelas minhas vestes.
19Tu, porém, Senhor, não fiques distante! Ó minha força, vem logo em meu socorro!
20Livra-me da espada, livra a minha vida do ataque dos cães.
21Salva-me da boca dos leões e resgata-me dos chifres dos bois selvagens.
22Proclamarei o teu nome aos meus irmãos; no meio da assembleia te louvarei.
23Louvem-no, vocês que temem ao Senhor! Glorifiquem-no, todos vocês, descendentes de Jacó! Tremam diante dele, todos vocês, descendentes de Israel!
24Pois ele não menosprezou nem repudiou o sofrimento do aflito; não escondeu dele o rosto, mas ouviu o seu grito de socorro.
25De ti vem o meu louvor na grande assembleia; na presença dos que te temem cumprirei os meus votos.
26Os pobres comerão até ficarem satisfeitos; aqueles que buscam o Senhor o louvarão! Que o coração de vocês viva para sempre!
27Todos os confins da terra se lembrarão e se voltarão para o Senhor, e todas as famílias das nações se prostrarão diante dele,
28pois do Senhor é o reino; ele governa as nações.
29Todos os ricos da terra se banquetearão e o adorarão; todos os que descem ao pó se prostrarão diante dele, até mesmo aqueles cuja vida se esvai.
30A posteridade servirá a ele; gerações futuras ouvirão falar do Senhor.
31Virão e proclamarão os seus feitos de justiça; a um povo que ainda não nasceu contarão o que ele fez.
- 3. Ou o Santo. ↩
- 16. Conforme os manuscritos do mar Morto, alguns do Texto Massorético, a Septuaginta e a Versão Siríaca; a maioria dos manuscritos do Texto Massorético traz me cercou! / Como um leão, rodearam. ↩
Texto bíblico: Nova Versão Internacional (NVI)
O que o Salmo 22 ensina
O salmo tem dois movimentos: primeiro, o grito da dor e a sensação de estar longe de Deus; depois, a volta para a memória de quem Deus é e termina em louvor.
O salmo começa sem resposta aparente: “Por que me abandonaste?”, mas depois volta à memória do que Deus fez.
O sofrimento é descrito de forma crua: solidão, desprezo, fome física. Nada é minimizado.
O texto termina longe do abandono: em louvor, em louvor futuro, e em louvor de gerações que virão.
- Grito de abandono
- Memória de Deus
- Sofrimento descrito
- Volta à confiança
- Louvor público
O salmista não nega o sofrimento para chegar ao louvor. Ele o atravessa com Deus.
Exegese do Salmo 22
A exegese examina o que o texto dizia aos primeiros leitores.
O grito sem resposta aparente Salmo 22:1-2
“Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste? Por que estás tão longe de salvar-me, tão longe dos meus gritos de angústia? Meu Deus! Eu clamo de dia, mas não respondes; de noite, e não recebo alívio!”
O salmo começa com o grito mais crú do saltério. Não é “será que Deus existe?” É “Deus, por que me deixaste?” A diferença é importante: pressupõe que Deus existe e que a distância é real.
O salmista clama de dia e de noite. Não há resposta que ele escuta. Não recebe alívio. A dor continua.
“Por que me abandonaste?” não é dúvida: é o grito de quem se sente longe de Deus e clama dia e noite.
A volta à memória Salmo 22:3-5
“Tu, porém, és santo, entronizado entre os louvores de Israel. Em ti confiaram os nossos antepassados; sim, eles confiaram, e tu os livraste. Clamaram a ti, e foram libertos; em ti confiaram e não se decepcionaram.”
Aqui o salmista muda a perspectiva. Reconhece que Deus é santo, entronizado nos louvores de Israel. Não está dizendo que agora se sente bem. Está lembrando quem Deus é.
Depois apela à memória da comunidade: os antepassados confiaram em Deus, e ele os livrou. Eles clamaram, foram libertos e não foram enganados. Essa lembrança não resolve a dor presente, mas oferece terreno firme para a confiança continuar.
No meio do grito, a memória funciona como ponte: Deus é santo e seus antepassados confiaram nele.
O desprezo do salmista Salmo 22:6-8
“Mas eu sou verme, não homem; motivo de zombaria e objeto de desprezo do povo. Caçoam de mim todos os que me veem; lançam insultos e balançam a cabeça, dizendo: “Recorra ao Senhor! Que o Senhor o liberte! Que ele o livre, já que lhe quer bem!”.”
“Mas eu sou verme, não homem.” A queda é dolorosa. De quem confiava em ser ouvido por Deus para quem é tratado como menos que ninguém.
Todos que o veem zombam. Balançam a cabeça. Falam de forma a parecer que o acusam mesmo enquanto fingem ajudar: “Recorra ao Senhor! Que o Senhor o liberte!” As palavras soam falsas porque vêm de quem não acredita que ele será liberto.
Não é inveja de outros: é o desprezo e a zombaria voltados contra ele por estar sofrendo.
De volta ao começo Salmo 22:9-10
“Contudo, tu mesmo me tiraste do ventre; deste-me segurança aos seios da minha mãe. Desde que nasci fui entregue a ti; desde o ventre materno és o meu Deus.”
“Contudo, tu mesmo me tiraste do ventre.” Há um “mas” aqui que é fundamental. A dor não é a última palavra sobre a vida. Antes da dor estava Deus, desde o nascimento.
O salmista não resolveu nada materialmente. Continua no desprezo, continua sem resposta. Mas encontrou uma verdade mais profunda: “Desde que nasci fui entregue a ti; desde o ventre materno és o meu Deus.”
Depois do abandono e do desprezo, o salmista volta ainda mais para trás, à sua própria infância com Deus.
Descida ao fundo do sofrimento Salmo 22:11-15
“Não fiques distante de mim, pois a angústia está perto e não há ninguém que me socorra. Muitos touros me cercam; sim, rodeiam-me os poderosos touros de Basã. Como leão voraz que ruge, eles escancaram a boca contra mim. Como água me derramei, e todos os meus ossos estão desconjuntados. O meu coração se tornou como cera; derreteu-se no meu íntimo. O meu vigor secou-se como um caco de barro, e a minha língua gruda no céu da boca; deixaste-me no pó, à beira da morte.”
“Não fiques distante de mim, pois a angústia está perto.” O salmista continua pedindo porque a situação piora. Muitos touros o cercam, touros poderosos. A imagem evoca hostilidade, peso, opressão.
“Como água me derramei.” O corpo inteiro se descontrola. O coração se torna cera que derrete. Não é frase de efeito: é descrição de someone cuja estrutura interna desaba.
Isso não é exagero poético distante de nós. É a experiência do sofrimento extremo: quando o corpo inteiro participa da angústia.
O texto descreve o sofrimento de forma cada vez mais intensa e corporal: cercado, derramado como água, ossos desconjuntados.
O auge da humilhação Salmo 22:16-18
“Cães me rodearam! Um bando de homens maus me cercou! Perfuraram as minhas mãos e os meus pés. Posso contar todos os meus ossos, mas eles me encaram com desprezo. Dividiram as minhas roupas entre si e lançaram sortes pelas minhas vestes.”
“Perfuraram as minhas mãos e os meus pés.” A nota da NVI registra que há variação textual, mas independente disso, o texto descreve ferimento físico severo. O salmista está cercado por cães (homens maus) e sua segurança pessoal foi violada.
“Dividiram as minhas roupas entre si e lançaram sortes pelas minhas vestes.” A degradação humana é completa. Não só a dor, mas o despojo. O corpo é exposto.
O texto passa da dor interna para a humilhação física: mãos e pés feridos, roupas dividas.
O apelo final Salmo 22:19-21
“Tu, porém, Senhor, não fiques distante! Ó minha força, vem logo em meu socorro! Livra-me da espada, livra a minha vida do ataque dos cães. Salva-me da boca dos leões e resgata-me dos chifres dos bois selvagens.”
“Tu, porém, Senhor, não fiques distante!” Depois de descrever tudo que é terrível, ele volta para o apelo à presença. O Senhor é a força dele, o seu único socorro.
Livra-me da espada, livra da boca dos leões, salva da boca dos leões. O pedido é tríplice e urgente. A morte ronda, e o salmista não esconde o medo.
No ponto mais profundo, o salmista apela direto a Deus, chamando-o pelo nome.
A virada para o louvor Salmo 22:22-27
“Proclamarei o teu nome aos meus irmãos; no meio da assembleia te louvarei. Louvem-no, vocês que temem ao Senhor! Glorifiquem-no, todos vocês, descendentes de Jacó! Tremam diante dele, todos vocês, descendentes de Israel! Pois ele não menosprezou nem repudiou o sofrimento do aflito; não escondeu dele o rosto, mas ouviu o seu grito de socorro. De ti vem o meu louvor na grande assembleia; na presença dos que te temem cumprirei os meus votos. Os pobres comerão até ficarem satisfeitos; aqueles que buscam o Senhor o louvarão! Que o coração de vocês viva para sempre! Todos os confins da terra se lembrarão e se voltarão para o Senhor, e todas as famílias das nações se prostrarão diante dele,”
“Proclamarei o teu nome aos meus irmãos; no meio da assembleia te louvarei.” Não há “finalmente Deus respondeu e tudo ficou bem”. O salmista simplesmente muda o que vai fazer com a sua boca: de gritar pela salvação para anunciar o nome de Deus.
O louvor se expande. Louvem-no vocês que temem ao Senhor. Depois os pobres comerão e ficarão satisfeitos. Depois todos os confins da terra se lembrarão. O movimento é de dentro para fora, da salvação pessoal para a salvação de nações inteiras.
Sem dizer que foi liberto, o salmista declara que proclamará o nome de Deus e convidará outros ao louvor.
O reino declarado Salmo 22:28-31
“pois do Senhor é o reino; ele governa as nações. Todos os ricos da terra se banquetearão e o adorarão; todos os que descem ao pó se prostrarão diante dele, até mesmo aqueles cuja vida se esvai. A posteridade servirá a ele; gerações futuras ouvirão falar do Senhor. Virão e proclamarão os seus feitos de justiça; a um povo que ainda não nasceu contarão o que ele fez.”
“Do Senhor é o reino; ele governa as nações.” Nem uma palavra a mais sobre o sofrimento do salmista. Ele termina em contemplação de Deus.
A posteridade servirá a Deus e as gerações futuras ouvirão falar do Senhor. O salmo não termina na cura do salmista. Termina na propagação da fé através dos tempos. O sofrimento do salmista se torna ocasião para que Deus seja proclamado.
O salmo termina não em alívio pessoal, mas na afirmação de que Deus governa e que essa verdade se passará para gerações futuras.
Hermenêutica do Salmo 22
Como esse texto deve ser entendido e aplicado hoje?
O Salmo 22 é poesia de lamento e não deve ser lido como descrição literal de um evento histórico ou como garantia de que Deus sempre responde imediatamente. É uma descrição do que é estar em sofrimento extremo e de como a fé pode coexistir com o não-entendimento. O salmista não nega a dor para ter fé. Ele a descreve completamente e ainda assim se volta para Deus.
O padrão do salmo é importante: não pula a dor nem a minimiza (“você está deprimido, leia versículos felizes”), mas também não fica preso a ela. Há um movimento de dentro (memória de quem Deus é) que permite que a pessoa siga em frente, mesmo sem resolução imediata.
A Bíblia retoma este salmo ao longo da história. No Novo Testamento, Jesus citou o primeiro versículo na cruz, conectando seu próprio sofrimento à tradição do lamento. Os cristãos veem em Jesus alguém que também sentiu abandono e, ainda assim, permaneceu confiante na vontade do Pai. O Salmo 22 oferece linguagem para quem sofre e não compreende.
Outros textos sobre lamento e confiança no meio da dor
| Passagem | O que mostra |
|---|---|
| Jó 3-42 | Jó lamenta profundamente, questiona Deus, e no fim encontra resposta não em explicações, mas em saber que Deus o conhece. |
| Salmo 13 | Outro salmo que começa com “até quando” e termina em confiança, sem negar a dor. |
| Salmo 42-43 | O salmista tem sede de Deus e está aflito, mas se lembra de quem Deus é. |
| Lamentações 3 | Lamento profundo sobre a cidade destruída, mas que encontra esperança em reconhecer a fidelidade de Deus. |
| Mateus 27:46 | Jesus cita o primeiro versículo do Salmo 22 na cruz, ligando seu sofrimento ao lamento do salmista. |
Homilética do Salmo 22
A homilética transforma o estudo em mensagem para ser pregada ou ensinada, útil para pastores, professores de EBD e grupos de estudo.
- O grito sem resposta aparente Salmo 22:1-2É possível clamar a Deus e sentir que ele não responde. Isso não invalida a fé.
- A memória como ponte Salmo 22:3-5Lembrar de quem Deus é e do que já fez oferece base sólida mesmo quando não se sente.
- O desprezo do povo Salmo 22:6-8A solidão do sofrimento é aumentada quando outros zombam ou fingem compaixão.
- Mais fundo que a dor Salmo 22:9-10A relação com Deus começou antes da dor e continua além dela.
- O apelo no ponto mais profundo Salmo 22:19-21Mesmo cercado de ameaças, o salmista chama Deus de “Minha Força” e pede socorro.
- A virada para o louvor público Salmo 22:22-27Sem negar a dor, o salmista muda o que fará: proclamará o nome de Deus.
Aplicação espiritual do Salmo 22
- Você se sente abandonado por DeusLembre-se de que o salmista também sentiu isso e continuou orando e confiando.
- A dor é profunda e corporalLembre-se de que o salmo permite descrever tudo isso a Deus sem minimizar.
- As pessoas ao redor não entendem seu sofrimentoLembre-se de que o salmista também foi zombado e desrespeitado.
- Acha que não tem direito a se queixarLembre-se de que os lamentos honestos são oração também.
- Quer começar a sair do sofrimentoLembre-se de que a memória de quem Deus é é um primeiro passo.
- Recupera alguma coisa de fé ou coragemLembre-se de que pode declarar ao povo o que Deus é.
- Enfrenta o escuro de uma noiteLembre-se de que “A corça da manhã” (o título do salmo) aponta para a luz que pode vir.
Mensagem centralQuem é abandonado e clama para Deus pode passar pela dor sendo ouvido e encontrar no fim o caminho do louvor.
Oração baseada no Salmo 22
7 títulos de pregações sobre o Salmo 22
- Quando Deus Parece Distante
- O Lamento como Oração
- Da Dor ao Louvor: Um Caminho Honesto
- Cercado, Mas Não Abandonado
- As Perguntas que Deus Ouve
- Memória de Deus em Tempos de Escuridão
- O Sofrimento que Conduz a Louvor
7 Salmos relacionados ao Salmo 22
- 13Salmo 13: Até quando, Senhor?LamentoTambém começa questionando “até quando” e termina em confiança.
- 31Salmo 31: Nas tuas mãos entrego o meu espíritoRefúgioRefúgio e confiança em Deus no meio da angústia.
- 39Salmo 39: A brevidade da vidaBrevidadeReflexão sobre sofrimento e a brevidade da vida.
- 42Salmo 42: Como a corça anseia pelas águasSaudadeSaudade de Deus e angústia coexistem, como no Salmo 22.
- 88Salmo 88: Lamento sem resposta aparenteDesamparoUm dos salmos mais escuros, que retrata profundo abandono.
- 142Salmo 142: Na caverna, sem ninguémAngústiaClamor na angústia e busca por refúgio no Senhor.
- 143Salmo 143: Ensina-me a fazer a tua vontadePerseguiçãoLamento e pedido de repouso em tempos de perseguição.
Perguntas frequentes sobre o Salmo 22
O que significa o Salmo 22?
É um salmo que começa com o grito “Por que me abandonaste?” e termina em louvor e confiança. Descreve estar em sofrimento profundo, ser desprezado pelos outros, e ainda assim encontrar razão para confiar em Deus não pela resolução imediata do problema, mas pela memória de quem ele é.
Posso usar o Salmo 22 quando estou passando por depressão ou luto?
Sim. O salmo oferece linguagem honesta para a dor sem exigir que você tenha resolvido tudo ou tenha voltado a estar bem. Pode ser lido em voz alta, com pausas, permitindo que você identifique em cada verso algo do que você sente.
Por que Jesus citou o Salmo 22 na cruz?
Jesus disse “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (Salmo 22:1) na cruz. Os cristãos entendem que Jesus, na experiência de abandono e sofrimento, utilizou palavras que conectavam seu sofrimento ao do povo de Israel e ao padrão de lamento e confiança.
Este é um salmo imprecatório?
Tem elementos de lamento por perseguição (cães, touros, inimigos), mas não é uma petição de vingança. É descrição do sofrimento e apelo a Deus para que socorra.
O Salmo 22 termina bem?
Termina diferente. Não diz “e tudo ficou bem”. Diz que o salmista proclamará o nome de Deus e que gerações futuras ouvirão falar dele. É uma virada interna e uma expansão de perspectiva, não uma solução material.
O que significa “De ti vem o meu louvor na grande assembleia”?
Significa que o louvor que o salmista oferecerá diante de todo o povo vem de Deus. É Deus quem capacita o salmista a passar da dor para o louvor público.
Como ler este salmo sem cair no desespero?
Leia em partes. A primeira metade honra a dor. A segunda metade mostra a volta à confiança. O movimento do salmo oferece um mapa: dor honesta, memória de quem Deus é, apelo sincero, virada para louvor.