Salmo 44: Lamento do povo
Um povo leal que sofre pode reclamar justamente a Deus e continuar esperando pelo seu resgate.
- Autorfilhos de Corá
- GêneroSalmo de lamento comunitário
- Versículos26
- TemaQuando Deus parece ter quebrado a promessa feita aos antepassados
Neste estudo
História e contexto do Salmo 44
7 palavras que resumem o Salmo 44
- Fidelidade
- Derrota
- Promessa
- Lealdade
- Confissão
- Lamúria
- Redenção
Para que serve o Salmo 44?
Este salmo também é lido em momentos de:
Para o mestre de música. Masquil§1 dos coraítas.
1Ó Deus, ouvimos com os nossos próprios ouvidos e os nossos antepassados nos contaram os feitos que realizaste no tempo deles, nos dias da antiguidade.
2Com a tua própria mão expulsaste as nações e plantaste os nossos antepassados; arruinaste povos e fizeste prosperar os nossos antepassados.
3Não foi pela espada que conquistaram a terra nem pela força do braço que alcançaram a vitória; foi pela tua mão direita, pelo teu braço e pela luz do teu rosto, por causa do teu amor para com eles.
4Tu és o meu Rei e o meu Deus!1 És tu que decretas vitórias para Jacó!
5Contigo pomos em fuga os nossos adversários; pelo teu nome pisoteamos os que nos atacam.
6Não confio no meu arco, nem pode a minha espada conceder-me a vitória;
7mas tu nos concedes a vitória sobre os nossos adversários e humilhas os que nos odeiam.
8Em Deus nos gloriamos o tempo todo e louvaremos o teu nome para sempre. Pausa
9Agora, porém, nos rejeitaste e nos humilhaste; já não sais com os nossos exércitos.
10Diante dos nossos adversários fizeste-nos bater em retirada, e os que nos odeiam nos saquearam.
11Tu nos entregaste para sermos devorados como ovelhas e nos dispersaste entre as nações.
12Vendeste o teu povo por uma ninharia e nada lucraste com essa venda.
13Tu nos fizeste motivo de vergonha diante dos nossos vizinhos, objeto de zombaria e menosprezo para os que nos rodeiam.
14Fizeste de nós um provérbio entre as nações; os povos meneiam a cabeça quando nos veem.
15Sofro humilhação o tempo todo, e o meu rosto está coberto de vergonha
16por causa da zombaria dos que me censuram e me provocam, por causa do inimigo que busca vingança.
17Tudo isso aconteceu conosco, sem que nos tivéssemos esquecido de ti nem tivéssemos traído a tua aliança.
18O nosso coração não voltou atrás nem os nossos pés se desviaram da tua vereda.
19Tu, porém, nos esmagaste e fizeste de nós um covil de chacais; com densas trevas nos cobriste.
20Se tivéssemos nos esquecido do nome do nosso Deus e tivéssemos estendido as nossas mãos a um deus estrangeiro,
21acaso Deus não o teria descoberto, uma vez que ele conhece os segredos do coração?
22Contudo, por amor de ti enfrentamos a morte o dia inteiro; somos considerados como ovelhas destinadas ao matadouro.
23Desperta, Senhor! Por que dormes? Levanta-te! Não nos rejeites para sempre.
24Por que escondes o teu rosto e te esqueces do nosso sofrimento e da nossa aflição?
25A nossa alma se abateu até o pó; o nosso ventre se apega ao chão.
26Levanta-te! Socorre-nos! Resgata-nos por causa do teu amor leal.
- 4. Conforme a Septuaginta e a Versão Siríaca. O Texto Massorético traz meu Rei, ó Deus! ↩
Texto bíblico: Nova Versão Internacional (NVI)
O que o Salmo 44 ensina
O salmo é um lamento do povo dirigido a Deus, trazendo a memória do passado para confrontar o presente.
Nos versículos 1 a 8, o povo lembra os feitos de Deus e declara que a vitória veio por Deus, não por força humana.
Nos versículos 9 a 16, o povo se queixa de uma derrota inesperada apesar de ter sido leal a Deus.
Nos versículos 17 a 26, o povo defende a sua lealdade e pede que Deus se levante e o redima.
- Vitória passada
- Lembrança
- Derrota presente
- Protesto de lealdade
- Clamor por redenção
Um povo que foi fiel a Deus e não compreende por que foi abandonado pede que Deus se levante.
Exegese do Salmo 44
A exegese examina o que o texto dizia aos primeiros leitores.
Os feitos que foram contados Salmo 44:1-3
“Ó Deus, ouvimos com os nossos próprios ouvidos e os nossos antepassados nos contaram os feitos que realizaste no tempo deles, nos dias da antiguidade. Com a tua própria mão expulsaste as nações e plantaste os nossos antepassados; arruinaste povos e fizeste prosperar os nossos antepassados. Não foi pela espada que conquistaram a terra nem pela força do braço que alcançaram a vitória; foi pela tua mão direita, pelo teu braço e pela luz do teu rosto, por causa do teu amor para com eles.”
O salmo começa com uma recordação de história. Os antepassados ouviram falar de coisas que Deus fez, e agora o povo as conta de novo. Deus expulsou as nações e plantou os antepassados. Destruiu povos e fez prosperar o seu povo.
O importante é o versículo 3: não foi pela espada nem pela força que conquistaram a terra. Foi pela mão de Deus, pelo seu braço, pela luz do seu rosto, pelo amor para com eles. A vitória militar veio da presença e do favor de Deus, não do poder militar humano.
A memória do que Deus fez é o fundamento do que o povo reclama.
Reconhecimento de quem Deus é Salmo 44:4-8
“Tu és o meu Rei e o meu Deus! És tu que decretas vitórias para Jacó! Contigo pomos em fuga os nossos adversários; pelo teu nome pisoteamos os que nos atacam. Não confio no meu arco, nem pode a minha espada conceder-me a vitória; mas tu nos concedes a vitória sobre os nossos adversários e humilhas os que nos odeiam. Em Deus nos gloriamos o tempo todo e louvaremos o teu nome para sempre. Pausa”
Tu és o meu Rei e o meu Deus. A declaração deixa claro quem governa. E o versículo 5 diz que contigo pomos em fuga os nossos adversários. O crédito é dado a Deus.
Os versículos 6 a 8 mostram que o povo não confiava no arco ou na espada, mas em Deus. E a glória por tudo era de Deus, louvores ao seu nome. Há uma confiança estabelecida e uma lealdade declarada.
Há uma mudança de tempo: passa de contar para falar com Deus diretamente.
Agora rejeição em vez de vitória Salmo 44:9-16
“Agora, porém, nos rejeitaste e nos humilhaste; já não sais com os nossos exércitos. Diante dos nossos adversários fizeste-nos bater em retirada, e os que nos odeiam nos saquearam. Tu nos entregaste para sermos devorados como ovelhas e nos dispersaste entre as nações. Vendeste o teu povo por uma ninharia e nada lucraste com essa venda. Tu nos fizeste motivo de vergonha diante dos nossos vizinhos, objeto de zombaria e menosprezo para os que nos rodeiam. Fizeste de nós um provérbio entre as nações; os povos meneiam a cabeça quando nos veem. Sofro humilhação o tempo todo, e o meu rosto está coberto de vergonha por causa da zombaria dos que me censuram e me provocam, por causa do inimigo que busca vingança.”
Agora, porém, nos rejeitaste. A palavra agora marca a mudança abrupta. Já não sais com os nossos exércitos. Em vez de sair à frente da batalha, Deus permitiu derrota. Os adversários saquearam, o povo foi humilhado. Vendeste o teu povo por uma ninharia, uma expressão de amargura.
O povo se tornou motivo de vergonha diante dos vizinhos, objeto de zombaria. Ficaram conhecidos como um povo abandonado por seu Deus. A humilhação é total: zombaria, menosprezo, um provérbio entre as nações, um rosto coberto de vergonha.
O contraste entre o passado e o presente é cortante.
A defesa de lealdade Salmo 44:17-22
“Tudo isso aconteceu conosco, sem que nos tivéssemos esquecido de ti nem tivéssemos traído a tua aliança. O nosso coração não voltou atrás nem os nossos pés se desviaram da tua vereda. Tu, porém, nos esmagaste e fizeste de nós um covil de chacais; com densas trevas nos cobriste. Se tivéssemos nos esquecido do nome do nosso Deus e tivéssemos estendido as nossas mãos a um deus estrangeiro, acaso Deus não o teria descoberto, uma vez que ele conhece os segredos do coração? Contudo, por amor de ti enfrentamos a morte o dia inteiro; somos considerados como ovelhas destinadas ao matadouro.”
Tudo isso aconteceu conosco, sem que nos tivéssemos esquecido de ti. Este é o clímax da reclamação. O povo diz: fomos fiéis. Não nos esquecemos de Deus. Não traímos a aliança. O coração não voltou atrás.
Os versículos 20 e 21 trazem um juramento negativo: Se tivéssemos nos esquecido do nome do nosso Deus, Deus descobriria. Mas não fizemos isso. Mesmo assim, fomos cobertos de densas trevas. O povo reclama que foi punido sem causa, punido por algo que não fez.
O povo afirma que não violou o acordo com Deus, mesmo sendo punido.
O clamor final por redenção Salmo 44:23-26
“Desperta, Senhor! Por que dormes? Levanta-te! Não nos rejeites para sempre. Por que escondes o teu rosto e te esqueces do nosso sofrimento e da nossa aflição? A nossa alma se abateu até o pó; o nosso ventre se apega ao chão. Levanta-te! Socorre-nos! Resgata-nos por causa do teu amor leal.”
Desperta, Senhor. A imagem de Deus dormindo é parte da linguagem do lamento: parece que Deus não está vendo o que acontece, que está indiferente. Por que dormes? Por que não ves?
Não nos rejeites para sempre é o cerne do medo. E o clímax: Levanta-te! Socorre-nos! Resgata-nos por causa do teu amor leal. A única esperança é que Deus, pelo seu amor leal (chesed), volte a agir em favor do povo. Não há menção de que o povo foi punido justamente; o apelo é ao amor leal, à aliança.
Depois de reclamar, o povo pede que Deus se levante.
Hermenêutica do Salmo 44
Como entendo um texto que fala de derrota quando eu mesmo estou desanimado?
O Salmo 44 é importante porque não oferece uma explicação fácil para o sofrimento. Não diz que o povo pecou e por isso foi castigado. Ao contrário, o povo declara lealdade e pede contas a Deus. Isso permite que pessoas leais que sofrem injustamente tragam suas queixas a Deus sem medo de ser julgadas como infiéis.
O salmo reconhece que às vezes a vida não faz sentido pelas regras que conhecemos. Se você é leal e sofre derrota, é legítimo perguntar a Deus por quê. O povo o faz com respeito, mas também com firmeza. Lembra a Deus do que ele fez e pergunta por que parou de fazer.
Os cristãos leem este salmo à luz de Jesus, que era completamente leal a Deus e ainda assim sofreu a morte na cruz. A experiência dele valida a experiência de outros que sofrem apesar de serem fiéis. Mas ele venceu a morte, e por isso a resposta final não é silêncio, mas ressurreição.
Outros textos que falam de lamento comunitário
| Passagem | O que mostra |
|---|---|
| Salmo 74 | O povo pergunta por que Deus permitiu que o templo fosse destruído. |
| Salmo 79 | Lamento depois que Jerusalém foi atacada; pede vingança contra os inimigos. |
| Lamentações 3 | O profeta lamenta a destruição de Jerusalém e grita por misericórdia. |
| Habacuque 1 | O profeta pergunta a Deus por que permite a injustiça quando vê a violência. |
| Romanos 8:35-39 | Afirma que nem morte, perseguição nem nada nos pode separar do amor de Deus. |
Homilética do Salmo 44
A homilética transforma o estudo em mensagem para ser pregada ou ensinada, útil para pastores, professores de EBD e grupos de estudo.
- Os feitos que foram contados Salmo 44:1-3A memória do que Deus fez no passado é o fundamento para crer que ele pode agir novamente.
- Confiança depositada em Deus Salmo 44:4-8O povo testifica que confiou em Deus, não em armas, e dava a ele toda a glória.
- A rejeição que não compreende Salmo 44:9-16A derrota vem apesar da lealdade, e isso causa confusão e dor profunda.
- A reclamação justa Salmo 44:17-22O povo não se culpa injustamente; declara que foi leal e pede contas a Deus.
- O pedido por despertar Salmo 44:23-26Depois de reclamar, a única resposta é pedir que Deus se levante e resgata o seu povo.
Aplicação espiritual do Salmo 44
- Você foi leal mas foi derrotadoLembre-se de que pode levar o assunto a Deus sem medo de ser condenado.
- Não compreende o sofrimentoLembre-se de que nem sempre há uma explicação simples; às vezes é legítimo questionar.
- Acha que Deus é indiferenteLembre-se de que o povo clamou Desperta, Senhor, despertando Deus de uma aparente indiferença.
- Os outros zombam de vocêLembre-se de que o povo do salmo também era motivo de escárnio entre os vizinhos.
- Pensa em abandonar a fidelidadeLembre-se de que a fidelidade ao Senhor é valiosa, mesmo quando não traz vitória imediata.
- Quer que Deus expliqueLembre-se de que pode clamo a Deus por respostas, como fez o povo aqui.
- Sua esperança parecerece fracaLembre-se de que ela repousa no amor leal de Deus, que é a base da redenção.
Mensagem centralUm povo leal que sofre pode reclamar justamente a Deus e continuar esperando pelo seu resgate.
Oração baseada no Salmo 44
7 títulos de pregações sobre o Salmo 44
- A Lealdade que Clama por Explicação
- Quando a Derrota Não Faz Sentido
- Lembrar do Que Deus Fez no Passado
- É Legítimo Reclamar a Deus
- Por Que Pareço Esquecido?
- A Esperança no Amor Leal de Deus
- Desperta, Senhor, Por Que Dormes?
7 Salmos relacionados ao Salmo 44
- 42Salmo 42: Como a corça anseia pelas águasLamentoTambém um lamento, mas pessoal. O 44 traz o mesmo sentimento mas em escala comunitária.
- 74Salmo 74: Lamento pelo templo destruídoDerrotaOutro lamento comunitário sobre a destruição; pergunta a Deus por que permitiu tal coisa.
- 79Salmo 79: Clamor por Jerusalém destruídaInvasãoLamenta a profanação de Jerusalém e pede que Deus castig os inimigos.
- 35Salmo 35: Defende a minha causaDefesaTambém pede a Deus que defenda quem é leal e que lutem por eles.
- 23Salmo 23: O Senhor é o meu pastorConfiançaOferece a perspectiva de quem está seguro em Deus, diferente do Salmo 44 que está confuso.
- 86Salmo 86: Oração de um aflitoSúplicaTambém clama a Deus em angústia e pede misericórdia.
- 102Salmo 102: Oração de quem está desfalecidoAngústiaUm lamento individual que questiona como o Salmo 44, mas em escala pessoal.
Perguntas frequentes sobre o Salmo 44
O que significa o Salmo 44?
O Salmo 44 é um lamento do povo sobre uma derrota inesperada. Ele começa lembrando como Deus venceu pelos antepassados, depois reclama de uma derrota presente, declara que foi leal mesmo assim, e pede que Deus se levante e resgata.
Por que o povo clama “Desperta, Senhor”?
A imagem de Deus dormindo é uma forma de dizer que Deus parece indiferente ou distante. O povo não acredita que Deus realmente dorme, mas usa essa linguagem para expressar que sente que Deus não está vendo ou ouvindo.
Como é que o povo pode dizer que foi leal se foi derrotado?
O salmo mostra que a lealdade e a derrota não sempre são contrapostas. Uma pessoa pode ser completamente fiel a Deus e ainda assim sofrer circunstâncias difíceis. Isso valida a experiência de muita gente.
É errado reclamar com Deus como o povo faz?
Não. O salmo mostra que é legítimo trazer as queixas a Deus. O povo o faz com respeito e com a esperança de uma resposta. Isto é oração honesta, não falta de fé.
A derrota significa que Deus abandonou o povo?
De acordo com o salmo, a derrota não significa abandono permanente, mas sim que Deus permitiu a derrota por uma razão que o povo não compreende. O apelo é que Deus mude a situação.
Como um cristão lê o Salmo 44?
À luz de Jesus, que foi completamente fiel a Deus e ainda assim sofreu a morte. Mas a ressurreição dele mostra que a derrota não é a palavra final. Mesmo na confusão, há esperança de redenção.
Como usar o Salmo 44 em oração?
Se você é leal mas está derrotado, este salmo valida sua experiência. Você pode orar os versículos como estão, levando suas queixas a Deus e pedindo que ele se levante. Não é desrespeitoso; é oração honesta que Deus convida.