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De filhos de Corá

Salmo 44: Lamento do povo

Em uma frase

Um povo leal que sofre pode reclamar justamente a Deus e continuar esperando pelo seu resgate.

Neste estudo
  1. História
  2. Para que serve
  3. Texto bíblico
  4. O que ensina
  5. Exegese
  6. Hermenêutica
  7. Homilética (para pregadores)
  8. Aplicação
  9. Oração
  10. Pregações
  11. Salmos relacionados
  12. Perguntas frequentes

História e contexto do Salmo 44

7 palavras que resumem o Salmo 44

  1. Fidelidade
  2. Derrota
  3. Promessa
  4. Lealdade
  5. Confissão
  6. Lamúria
  7. Redenção

Para que serve o Salmo 44?

Este salmo também é lido em momentos de:

Salmo 44 NVI

Para o mestre de música. Masquil§1 dos coraítas.

1Ó Deus, ouvimos com os nossos próprios ouvidos e os nossos antepassados nos contaram os feitos que realizaste no tempo deles, nos dias da antiguidade.

2Com a tua própria mão expulsaste as nações e plantaste os nossos antepassados; arruinaste povos e fizeste prosperar os nossos antepassados.

3Não foi pela espada que conquistaram a terra nem pela força do braço que alcançaram a vitória; foi pela tua mão direita, pelo teu braço e pela luz do teu rosto, por causa do teu amor para com eles.

4Tu és o meu Rei e o meu Deus!1 És tu que decretas vitórias para Jacó!

5Contigo pomos em fuga os nossos adversários; pelo teu nome pisoteamos os que nos atacam.

6Não confio no meu arco, nem pode a minha espada conceder-me a vitória;

7mas tu nos concedes a vitória sobre os nossos adversários e humilhas os que nos odeiam.

8Em Deus nos gloriamos o tempo todo e louvaremos o teu nome para sempre. Pausa

9Agora, porém, nos rejeitaste e nos humilhaste; já não sais com os nossos exércitos.

10Diante dos nossos adversários fizeste-nos bater em retirada, e os que nos odeiam nos saquearam.

11Tu nos entregaste para sermos devorados como ovelhas e nos dispersaste entre as nações.

12Vendeste o teu povo por uma ninharia e nada lucraste com essa venda.

13Tu nos fizeste motivo de vergonha diante dos nossos vizinhos, objeto de zombaria e menosprezo para os que nos rodeiam.

14Fizeste de nós um provérbio entre as nações; os povos meneiam a cabeça quando nos veem.

15Sofro humilhação o tempo todo, e o meu rosto está coberto de vergonha

16por causa da zombaria dos que me censuram e me provocam, por causa do inimigo que busca vingança.

17Tudo isso aconteceu conosco, sem que nos tivéssemos esquecido de ti nem tivéssemos traído a tua aliança.

18O nosso coração não voltou atrás nem os nossos pés se desviaram da tua vereda.

19Tu, porém, nos esmagaste e fizeste de nós um covil de chacais; com densas trevas nos cobriste.

20Se tivéssemos nos esquecido do nome do nosso Deus e tivéssemos estendido as nossas mãos a um deus estrangeiro,

21acaso Deus não o teria descoberto, uma vez que ele conhece os segredos do coração?

22Contudo, por amor de ti enfrentamos a morte o dia inteiro; somos considerados como ovelhas destinadas ao matadouro.

23Desperta, Senhor! Por que dormes? Levanta-te! Não nos rejeites para sempre.

24Por que escondes o teu rosto e te esqueces do nosso sofrimento e da nossa aflição?

25A nossa alma se abateu até o pó; o nosso ventre se apega ao chão.

26Levanta-te! Socorre-nos! Resgata-nos por causa do teu amor leal.

  1. 4. Conforme a Septuaginta e a Versão Siríaca. O Texto Massorético traz meu Rei, ó Deus! ↩

Texto bíblico: Nova Versão Internacional (NVI)

O que o Salmo 44 ensina

O salmo é um lamento do povo dirigido a Deus, trazendo a memória do passado para confrontar o presente.

Nos versículos 1 a 8, o povo lembra os feitos de Deus e declara que a vitória veio por Deus, não por força humana.

Nos versículos 9 a 16, o povo se queixa de uma derrota inesperada apesar de ter sido leal a Deus.

Nos versículos 17 a 26, o povo defende a sua lealdade e pede que Deus se levante e o redima.

  1. Vitória passada
  2. Lembrança
  3. Derrota presente
  4. Protesto de lealdade
  5. Clamor por redenção

Um povo que foi fiel a Deus e não compreende por que foi abandonado pede que Deus se levante.

Exegese do Salmo 44

A exegese examina o que o texto dizia aos primeiros leitores.

Os feitos que foram contados Salmo 44:1-3

“Ó Deus, ouvimos com os nossos próprios ouvidos e os nossos antepassados nos contaram os feitos que realizaste no tempo deles, nos dias da antiguidade. Com a tua própria mão expulsaste as nações e plantaste os nossos antepassados; arruinaste povos e fizeste prosperar os nossos antepassados. Não foi pela espada que conquistaram a terra nem pela força do braço que alcançaram a vitória; foi pela tua mão direita, pelo teu braço e pela luz do teu rosto, por causa do teu amor para com eles.”

O salmo começa com uma recordação de história. Os antepassados ouviram falar de coisas que Deus fez, e agora o povo as conta de novo. Deus expulsou as nações e plantou os antepassados. Destruiu povos e fez prosperar o seu povo.

O importante é o versículo 3: não foi pela espada nem pela força que conquistaram a terra. Foi pela mão de Deus, pelo seu braço, pela luz do seu rosto, pelo amor para com eles. A vitória militar veio da presença e do favor de Deus, não do poder militar humano.

A memória do que Deus fez é o fundamento do que o povo reclama.

Reconhecimento de quem Deus é Salmo 44:4-8

“Tu és o meu Rei e o meu Deus! És tu que decretas vitórias para Jacó! Contigo pomos em fuga os nossos adversários; pelo teu nome pisoteamos os que nos atacam. Não confio no meu arco, nem pode a minha espada conceder-me a vitória; mas tu nos concedes a vitória sobre os nossos adversários e humilhas os que nos odeiam. Em Deus nos gloriamos o tempo todo e louvaremos o teu nome para sempre. Pausa”

Tu és o meu Rei e o meu Deus. A declaração deixa claro quem governa. E o versículo 5 diz que contigo pomos em fuga os nossos adversários. O crédito é dado a Deus.

Os versículos 6 a 8 mostram que o povo não confiava no arco ou na espada, mas em Deus. E a glória por tudo era de Deus, louvores ao seu nome. Há uma confiança estabelecida e uma lealdade declarada.

Há uma mudança de tempo: passa de contar para falar com Deus diretamente.

Agora rejeição em vez de vitória Salmo 44:9-16

“Agora, porém, nos rejeitaste e nos humilhaste; já não sais com os nossos exércitos. Diante dos nossos adversários fizeste-nos bater em retirada, e os que nos odeiam nos saquearam. Tu nos entregaste para sermos devorados como ovelhas e nos dispersaste entre as nações. Vendeste o teu povo por uma ninharia e nada lucraste com essa venda. Tu nos fizeste motivo de vergonha diante dos nossos vizinhos, objeto de zombaria e menosprezo para os que nos rodeiam. Fizeste de nós um provérbio entre as nações; os povos meneiam a cabeça quando nos veem. Sofro humilhação o tempo todo, e o meu rosto está coberto de vergonha por causa da zombaria dos que me censuram e me provocam, por causa do inimigo que busca vingança.”

Agora, porém, nos rejeitaste. A palavra agora marca a mudança abrupta. Já não sais com os nossos exércitos. Em vez de sair à frente da batalha, Deus permitiu derrota. Os adversários saquearam, o povo foi humilhado. Vendeste o teu povo por uma ninharia, uma expressão de amargura.

O povo se tornou motivo de vergonha diante dos vizinhos, objeto de zombaria. Ficaram conhecidos como um povo abandonado por seu Deus. A humilhação é total: zombaria, menosprezo, um provérbio entre as nações, um rosto coberto de vergonha.

O contraste entre o passado e o presente é cortante.

A defesa de lealdade Salmo 44:17-22

“Tudo isso aconteceu conosco, sem que nos tivéssemos esquecido de ti nem tivéssemos traído a tua aliança. O nosso coração não voltou atrás nem os nossos pés se desviaram da tua vereda. Tu, porém, nos esmagaste e fizeste de nós um covil de chacais; com densas trevas nos cobriste. Se tivéssemos nos esquecido do nome do nosso Deus e tivéssemos estendido as nossas mãos a um deus estrangeiro, acaso Deus não o teria descoberto, uma vez que ele conhece os segredos do coração? Contudo, por amor de ti enfrentamos a morte o dia inteiro; somos considerados como ovelhas destinadas ao matadouro.”

Tudo isso aconteceu conosco, sem que nos tivéssemos esquecido de ti. Este é o clímax da reclamação. O povo diz: fomos fiéis. Não nos esquecemos de Deus. Não traímos a aliança. O coração não voltou atrás.

Os versículos 20 e 21 trazem um juramento negativo: Se tivéssemos nos esquecido do nome do nosso Deus, Deus descobriria. Mas não fizemos isso. Mesmo assim, fomos cobertos de densas trevas. O povo reclama que foi punido sem causa, punido por algo que não fez.

O povo afirma que não violou o acordo com Deus, mesmo sendo punido.

O clamor final por redenção Salmo 44:23-26

“Desperta, Senhor! Por que dormes? Levanta-te! Não nos rejeites para sempre. Por que escondes o teu rosto e te esqueces do nosso sofrimento e da nossa aflição? A nossa alma se abateu até o pó; o nosso ventre se apega ao chão. Levanta-te! Socorre-nos! Resgata-nos por causa do teu amor leal.”

Desperta, Senhor. A imagem de Deus dormindo é parte da linguagem do lamento: parece que Deus não está vendo o que acontece, que está indiferente. Por que dormes? Por que não ves?

Não nos rejeites para sempre é o cerne do medo. E o clímax: Levanta-te! Socorre-nos! Resgata-nos por causa do teu amor leal. A única esperança é que Deus, pelo seu amor leal (chesed), volte a agir em favor do povo. Não há menção de que o povo foi punido justamente; o apelo é ao amor leal, à aliança.

Depois de reclamar, o povo pede que Deus se levante.

Hermenêutica do Salmo 44

A pergunta

Como entendo um texto que fala de derrota quando eu mesmo estou desanimado?

O Salmo 44 é importante porque não oferece uma explicação fácil para o sofrimento. Não diz que o povo pecou e por isso foi castigado. Ao contrário, o povo declara lealdade e pede contas a Deus. Isso permite que pessoas leais que sofrem injustamente tragam suas queixas a Deus sem medo de ser julgadas como infiéis.

O salmo reconhece que às vezes a vida não faz sentido pelas regras que conhecemos. Se você é leal e sofre derrota, é legítimo perguntar a Deus por quê. O povo o faz com respeito, mas também com firmeza. Lembra a Deus do que ele fez e pergunta por que parou de fazer.

Os cristãos leem este salmo à luz de Jesus, que era completamente leal a Deus e ainda assim sofreu a morte na cruz. A experiência dele valida a experiência de outros que sofrem apesar de serem fiéis. Mas ele venceu a morte, e por isso a resposta final não é silêncio, mas ressurreição.

Outros textos que falam de lamento comunitário

PassagemO que mostra
Salmo 74O povo pergunta por que Deus permitiu que o templo fosse destruído.
Salmo 79Lamento depois que Jerusalém foi atacada; pede vingança contra os inimigos.
Lamentações 3O profeta lamenta a destruição de Jerusalém e grita por misericórdia.
Habacuque 1O profeta pergunta a Deus por que permite a injustiça quando vê a violência.
Romanos 8:35-39Afirma que nem morte, perseguição nem nada nos pode separar do amor de Deus.

Homilética do Salmo 44

A homilética transforma o estudo em mensagem para ser pregada ou ensinada, útil para pastores, professores de EBD e grupos de estudo.

  1. Os feitos que foram contados Salmo 44:1-3A memória do que Deus fez no passado é o fundamento para crer que ele pode agir novamente.
  2. Confiança depositada em Deus Salmo 44:4-8O povo testifica que confiou em Deus, não em armas, e dava a ele toda a glória.
  3. A rejeição que não compreende Salmo 44:9-16A derrota vem apesar da lealdade, e isso causa confusão e dor profunda.
  4. A reclamação justa Salmo 44:17-22O povo não se culpa injustamente; declara que foi leal e pede contas a Deus.
  5. O pedido por despertar Salmo 44:23-26Depois de reclamar, a única resposta é pedir que Deus se levante e resgata o seu povo.

Aplicação espiritual do Salmo 44

Mensagem central

Um povo leal que sofre pode reclamar justamente a Deus e continuar esperando pelo seu resgate.

A fidelidade a Deus pode não trazer vitória imediata, mas a vitória final repousa no seu amor leal.

Oração baseada no Salmo 44

7 títulos de pregações sobre o Salmo 44

  1. A Lealdade que Clama por Explicação
  2. Quando a Derrota Não Faz Sentido
  3. Lembrar do Que Deus Fez no Passado
  4. É Legítimo Reclamar a Deus
  5. Por Que Pareço Esquecido?
  6. A Esperança no Amor Leal de Deus
  7. Desperta, Senhor, Por Que Dormes?

7 Salmos relacionados ao Salmo 44

Perguntas frequentes sobre o Salmo 44

O que significa o Salmo 44?

O Salmo 44 é um lamento do povo sobre uma derrota inesperada. Ele começa lembrando como Deus venceu pelos antepassados, depois reclama de uma derrota presente, declara que foi leal mesmo assim, e pede que Deus se levante e resgata.

Por que o povo clama “Desperta, Senhor”?

A imagem de Deus dormindo é uma forma de dizer que Deus parece indiferente ou distante. O povo não acredita que Deus realmente dorme, mas usa essa linguagem para expressar que sente que Deus não está vendo ou ouvindo.

Como é que o povo pode dizer que foi leal se foi derrotado?

O salmo mostra que a lealdade e a derrota não sempre são contrapostas. Uma pessoa pode ser completamente fiel a Deus e ainda assim sofrer circunstâncias difíceis. Isso valida a experiência de muita gente.

É errado reclamar com Deus como o povo faz?

Não. O salmo mostra que é legítimo trazer as queixas a Deus. O povo o faz com respeito e com a esperança de uma resposta. Isto é oração honesta, não falta de fé.

A derrota significa que Deus abandonou o povo?

De acordo com o salmo, a derrota não significa abandono permanente, mas sim que Deus permitiu a derrota por uma razão que o povo não compreende. O apelo é que Deus mude a situação.

Como um cristão lê o Salmo 44?

À luz de Jesus, que foi completamente fiel a Deus e ainda assim sofreu a morte. Mas a ressurreição dele mostra que a derrota não é a palavra final. Mesmo na confusão, há esperança de redenção.

Como usar o Salmo 44 em oração?

Se você é leal mas está derrotado, este salmo valida sua experiência. Você pode orar os versículos como estão, levando suas queixas a Deus e pedindo que ele se levante. Não é desrespeitoso; é oração honesta que Deus convida.