dezembro 7, 2022

O ESTRANHO CASO DE MICHELLE CARTER E SUAS MENSAGENS

O ESTRANHO CASO DE MICHELLE CARTER E SUAS MENSAGENS 1

Oi bonitas e bonitos, tudo bom com vocês? Começando mais uma Quinta
Misteriosa aqui no canal. E antes de mais nada, se você
não está inscrito aqui no canal, já se inscreve aqui embaixo,
tem vídeo novo toda quinta-feira. Playlist completa do Quinta e do
Teorias está aqui na descrição para vocês, já tem vários casos
aqui no canal, então vão lá conferir. Não esquece de me seguir nas redes sociais,
vou deixar aqui na tela para vocês, me acompanhem por lá. Deixa o like no comecinho do vídeo,
porque me ajuda muito na divulgação, então não esquece do like. E agora, bora começar o caso de hoje. Conrad Henri Roy nasceu
no dia 12 de setembro de 1995, em Mattapoisett, Massachusetts,
nos Estados Unidos. O nome do seu pai é Conrad II.
Então, para não confundir vocês, sempre que eu falar do pai dele,
eu vou falar o pai do Conrad. Ele era um operador
de barco de salvamento, então ele fazia viagens
frequentes de duas semanas, então ele ficava nesse
período fora de casa. Isso incluiu uma viagem que ele
fez um dia após o nascimento do Conrad. A mãe do Conrad, Lynn Roy, é enfermeira e
ele tem uma irmã mais nova chamada Camdyn. O Conrad desde muito novo
começou a trabalhar com o seu pai, avô e tio nesse negócio da
família, de salvamento marítimo, que se chama Tucker-Roy Marine
Towing and Salvage. Então, na primavera de 2014 ele obteve sua
licença de capitão no Instituto Marítimo. No mesmo ano, ele se formou com honras
na Old Rochester Regional High School. Ele era um atleta do ensino médio que
jogava baseball, ele remava com tripulação e também praticava corrida. O Conrad foi aceito na
Universidade Estadual de Fitchburg para estudar Administração, mas
naquele momento ele decidiu não ir. Então, indo direto para o
caso, no dia 12 de julho de 2014, a mãe do Conrad começou a
receber algumas mensagens de texto. A primeira mensagem dizia:
“Você sabe onde ele está?”… E aí, algumas horas depois chegou a
segunda mensagem, que perguntava: “Você já chamou a polícia?”. E aí, algumas horas depois, uma terceira mensagem perguntando
se a Lynn tinha alguma notícia do Conrad. Quem mandou essas mensagens foi a Michelle
Carter, e a Lynn reconheceu a Michelle, porque ela sabia que ela era uma garota
que o Conrad havia conhecido numa viagem e os dois conversavam
por mensagem de texto. E por algum motivo, a Michelle
parecia muito preocupada com ele. Mais tarde, naquele mesmo dia, a
polícia encontrou o corpo do Conrad no estacionamento do Kmart,
na rota 6, em Fairhaven, Massachusetts. Ele havia se asfixiado por monóxido
de carbono com uma bomba d’água dentro da cabine do seu carro. Ele tinha 18 anos de idade. Nas fotos tiradas no local, manchas vermelhas cobriam
o nariz e a boca do Conrad, sinais de envenenamento
por monóxido de carbono… Ele usava óculos escuros e uma
das camisetas “Boston Strong”, que estavam sendo vendidas
na época na Nova Inglaterra para arrecadar dinheiro para as vítimas
do bombardeio da Maratona de Boston. Poucos dias depois
da morte do Conrad, o pai dele encontrou um
diário dele na casa deles e nesse diário tinha a
senha do celular do Conrad, do computador dele e também
algumas notas de suicídio. Uma dessas notas era
dirigida à Michelle e dizia: “Mantenha-se forte em tempos difíceis. Nossas músicas, ouça-as
e lembre-se de mim.” Outra nota era destinada
ao pai dele e dizia: “Pai, sinto muito não ser
o menino que você queria.” A relação do Conrad com o pai dele,
naqueles últimos meses, estava bem tensa. Em fevereiro do mesmo ano, eles
tiveram uma discussão, uma briga, e aí o pai do Conrad deu um soco na
cara dele, ele teve que ir para o hospital, então ele foi preso por conta disso. Uma semana após a morte
do Conrad foi feito o velório, e aí apareceu uma menina no
velório, de 17 anos, uma menina loira. E ela se apresentou à mãe do
Conrad como Michelle Carter. A Michelle veio de um
subúrbio chamado Plainville, que fica cerca de 1 hora de distância. Então, falando um
pouquinho sobre a Michelle, ela nasceu no dia 11 de agosto
de 1996, em Massachusetts. Filha de Gail e David Carter, ela estudava na King Philip
Regional High School, em Wrentham. E na pré-adolescência, ela
desenvolveu um distúrbio alimentar e por causa disso ela usava
medicamentos prescritos e antidepressivos desde
os 14 anos de idade. Além disso, ela também fazia aconselhamento
no McLean Hospital, em Belmont. Então, assim como o Conrad,
ela também gostava de esportes e jogava futebol na escola. A Michelle e o Conrad se conheceram
na Flórida, em fevereiro de 2012. Então, os dois adolescentes
estavam de férias em família… E após esse encontro inicial, eles
se viram pessoalmente novamente apenas algumas vezes,
ao longo de 2 anos. Então, eles trocavam mensagens
de texto e e-mails. Pouco tempo depois do funeral, a
irmã mais nova do Conrad, a Camdyn, recebeu um e-mail da
Michelle e nesse e-mail ela dizia: “O Conrad não se matou por conta
de bullying, como todo mundo presume. Eu sei as verdadeiras razões.” E aí, ela colou várias mensagens que o
próprio Conrad tinha mandado para ela. Em uma dessas mensagens ele dizia: “Rezo todas as noites para
que este seja um sonho ruim e eu acorde me sentindo feliz
e orgulhoso de mim mesmo, e me sinta como um bom filho novamente. Eu vejo o mundo como um lugar horrível,
com um monte de pessoas horríveis. Há uma escassez de pessoas boas e
genuínas, como você e eu que se importam.” A Camdyn decidiu mostrar esse
e-mail para a mãe dela. Então, quando a Lynn leu o e-mail e as
mensagens que a Michelle colocou do Conrad, ela reconheceu que realmente eram mensagens
dele, pela forma que estavam escritas, ela percebeu que realmente ele tinha
mandado aquelas mensagens para ela. E 3 anos antes disso, o Conrad estava
passando por alguns momentos difíceis, porque os pais decidiram se separar. Então, ele começou a se meter em brigas na
escola, ele se recusava a sair da cama… Porém, na semana anterior ao dia 12,
o Conrad parecia bem melhor, então ele conversou com a mãe sobre o
futuro, os dois foram caminhar na praia… Então, para ela, parecia que
ele estava melhorando. No dia 25 de julho, a Michelle
mandou um e-mail para a Lynn e nesse e-mail ela dizia que gostaria
que as coisas tivessem sido diferentes e que a culpa não era da Lynn. Em Massachusetts, quando acontece
uma morte assim meio que do nada, eles tratam como um crime não resolvido
e é padrão que a polícia trabalhe no caso, investigue o caso, mesmo que de
forma bem superficial. Então, a Lynn
comentou com a Michelle que agora tinham alguns
detetives investigando o caso e a Michelle disse que tinha
esperança que eles encontrassem algo, então ela sempre perguntava
se tinha alguma novidade. Cerca de um mês após a morte do
Conrad, a mãe dele teve um sonho onde a Michelle ajudava o melhor
amigo do Conrad, Tom Gammell, a passar por uma depressão e
ela sentiu que foi um sonho bom. Então, quando ela acordou, ela mandou
uma mensagem para a Michelle sobre isso. Então, à essa altura, a Lynn já aceitava que realmente os dois eram bem
mais próximos do que ela imaginava, ela achava que eles
conversavam só às vezes, mas realmente eles
pareciam ser muito próximos, o que é comum que os pais
não saibam exatamente tudo sobre os filhos adolescentes. E quando as aulas
começaram em setembro, todo mundo da escola da Michelle percebeu
que ela estava realmente muito mal, ela estava devastada
com a morte do Conrad. E aí, no dia 13, que foi um dia após o
que teria sido o 19º aniversário do Conrad, a Michelle realizou uma arrecadação
de fundos para a prevenção do suicídio em sua homenagem. As suas amigas a cercaram,
tiraram fotos com ela… Então, ela estava recebendo
muito apoio dos amigos na escola, mas algumas pessoas estavam
achando um pouco esquisito, porque antes da morte do Conrad, ela
falava sobre ele como sendo apenas um amigo e depois que ele morreu, ela
falava que ele era o namorado dela. E alguns colegas da escola comentaram
um pouco sobre a personalidade da Michelle. Então, eles diziam que se você fosse
gentil com ela, ela agradeceria muito, várias vezes pela gentileza,
o que ficava até confuso. Se ela aborrecesse, ela iria
pedir desculpas várias vezes, e aí ela iria se desculpar
por se desculpar tanto. Mas uma coisa que era fato é que
ela tinha vários colegas na escola, mas não tinha nenhum
amigo muito próximo dela, ela não pertencia a nenhum
dos grupinhos dentro da escola. Fora da escola, a
Michelle era bem reservada e teve uma época que ela emagreceu tanto
que teve que sair do time de softball. As garotas populares do colégio
trabalhavam em sorveterias e já tinham carteira de motorista, mas a Michelle tirou a
carteira dela um pouco tarde, o que fazia com que ela parecesse
ainda mais jovem do que a idade dela. E um colega comentou que
achava que ela era muito ingênua e que a criação que os pais
deram para ela foi de muita proteção, então ela era muito protegida por eles. Poucos meses depois
da morte do Conrad, a Michelle estava esperando
que o pai fosse buscá-la na escola, até que um homem se aproximou dela
e se apresentou como detetive da polícia. Então, ele explicou para ela que
eles revisaram o telefone do Conrad e eles viram que eles
conversaram no dia da morte dele. A voz da Michelle era
bem baixa e educada, e ela respondia à todas as
perguntas que o detetive fazia. E uma das perguntas que ele fez
foi sobre essas ligações. Então, a Michelle disse que ela
conversou com o Conrad por telefone na noite anterior ao dia 12 e ela disse
que ele não tinha ninguém para ajudá-lo. Então, eles conversaram e o
telefone dele desligou do nada e ela não sabia mais nada sobre isso. E aí, o detetive explicou que
ele tinha um mandado de busca para o telefone da Michelle. Então, ela
perguntou se ele levaria o telefone dela, se depois entregaria de volta, se ela
podia anotar o número de telefone dele, alguma coisa assim…
E ele disse que não seria necessário. A foto na tela de bloqueio do
celular dela era uma foto do Conrad. O pai da Michelle, David, chega. E aí, ele pega a Michelle,
dirigem por cerca de 15 minutos até a casa deles em um bairro
bem tranquilo, em Plainville. Enquanto isso, o detetive vai
indo atrás e cerca de 1 hora depois, a Michelle dá a senha do celular e
do computador dela para o detetive. Então, os detetives recuperaram
todas as mensagens de texto que eles mandaram um para o
outro e, ao todo, deram 317 páginas com todas as mensagens que
eles trocaram durante esses anos. A mãe do Conrad contou que eles
se viram no máximo cinco vezes, o Conrad e a Michelle. E aí, nessas mensagens dava para ver
desde o momento em que eles se conheceram até último dia de vida do Conrad. Então tinha, basicamente, todo o
relacionamento dos dois nessas mensagens. Tudo começou em fevereiro de 2012,
na viagem que eu disse a vocês. A Michelle tinha 15 anos e ela foi para
Naples, na Florida, para visitar os avós. E o Conrad tinha 16 anos, ele também
estava lá visitando a tia-avó dele. E a casa da Michelle estava
e a que o Conrad estava ficavam apenas a
algumas casas de distância. Então, eles se conheceram lá,
foram de bicicleta até à praia… E quando o Conrad voltou para
casa, a Camdyn disse à mãe dela que ele conheceu alguém. Porém, em Massachusetts, a Michelle
e o Conrad não teriam se encontrado. Os pais de Michelle tinham bons empregos. O pai dela, David, é filho de
um vice-presidente de banco e ele é gerente de vendas de
um fornecedor de empilhadeiras. A mãe dela, Gail, fazia interiores
para agentes imobiliários. E pelas conversas dos dois,
eles viram que em outubro, o Conrad tentou se matar
engolindo uma garrafa de Tylenol, ele vomitou tudo depois… Ele contou para ela que estava
com o estômago muito machucado por conta do Tylenol, e ela contou para
ele que estava com o fígado machucado por conta do seu distúrbio alimentar. Então, basicamente, eles se
relacionaram especificamente por conta dos seus
problemas de saúde mental. O Conrad disse à Michelle que ele
sofria de depressão e ansiedade social, e a Michelle disse a ele que ela tinha
problemas de imagem corporal e autoestima. Ainda pelas mensagens da Michelle, eles viram que enquanto
ela ainda jogava softball, ela se aproximou bastante de uma garota
de Bellingham, chamada Alice Felzmann. As duas se tornaram inseparáveis e
durante uma viagem da equipe à Montreal, enquanto todo mundo foi jantar
junto, elas decidiram jantar só as duas. E quando voltaram de viagem, as
duas continuaram muito próximas. Então, a Michelle dormia na
casa da Alice o tempo todo, elas faziam tudo juntas, enfim…
Ficaram realmente muito amigas. Até que a Alice decidiu
se afastar da Michelle, e a Michelle não sabia
qual era o motivo para isso. Então, em uma das mensagens
ela contou isso para o Conrad, disse que essa situação estava
deixando-a muito deprimida e o Conrad respondeu que não era para
ela deixar que essa situação a afetasse. No outono seguinte, o Conrad
manda uma mensagem para Michelle dizendo que estava decidido que
iria fugir para a Califórnia sozinho, e aí ela disse que ela
teria que ir com ele, porque eram muitos
quilômetros de distância e ela não conseguiria
ficar tão longe dele assim. E aí, ele perguntou o porquê e ela
respondeu que eles poderiam fugir juntos e que eles mudariam
de vida e seriam felizes. Já no inverno de 2014, o Conrad
foi suspenso da escola, acusado de brigar. Então, ele pensando que poderia
ajudar estar perto de alguém próximo a ele, ele foi visitar um dos seus
melhores amigos, o Tom Gammell,
no Estado de Fitchburg. E os dois eram
realmente bem próximos, mas o relacionamento deles
seguia alguns limites estreitos. Eles eram companheiros de time de
baseball e jogavam madding juntos. Porém, a visita foi um fracasso.
Ele mandou uma mensagem para a mãe dizendo que ele não estava
conseguindo dormir bem, estava se sentindo ansioso,
estava se sentindo mal e ele não sabia porque simplesmente
não conseguia ser alguém normal. Ele também mandou
mensagem para a Michelle dizendo que não estava
se sentindo confortável, estava se sentindo deprimido novamente
e parecia que tudo havia mudado. Em julho do mesmo ano, a Michelle
foi ao hospital McLean, em Belmont, para tratar a anorexia. E ela disse ao
Conrad que ele deveria se juntar a ela para obter ajuda para depressão. Então, ela disse entre aspas: “Seria tão bom para você e nós
resolveríamos nossos problemas juntos. Pense nisso. Você não vai melhorar
por conta própria, você sabe disso, não importa quantas vezes
você diga isso a si mesmo. Você precisa de ajuda
profissional, como eu, pessoas que saibam
como nos tratar e consertar.” O Conrad não aceitou a
ajuda e três semanas depois, ele disse à Michelle que era suicida. No dia 29 de junho, os
dois começaram a conversar e a conspirar sobre
formas de cometer suicídio. Então, eles conversavam
muito sobre isso. Então, ela disse que ele ficava
adiando isso, ficava mentindo para ela… E o Conrad disse que estava preocupado
que alguém o encontrasse antes de morrer. Então, a Michelle disse entre aspas: “É melhor você não ficar me
enganando e dizendo que vai fazer isso e ser pego de propósito.” Então, a Michelle perguntou que
se depois que o Conrad morresse, ela poderia dizer às pessoas que ela
era sua namorada, e ele disse que sim. Então, na noite do dia 12 de julho, avisando que eles
encontraram o carro do filho e que havia uma fita amarela
em volta da caminhonete. Não existia nenhuma gravação de qualquer
ligação entre a Michelle e o Conrad, mas o detetive localizou uma
mensagem que foi enviada dois meses após a morte do Conrad. A Michelle enviou essa mensagem
para a sua amiga Samantha, o que parecia ser uma confissão. A Michelle, disse entre aspas:
“Eu poderia tê-lo impedido. Eu estava no telefone com ele e ele
saiu do carro, porque estava funcionando e ele ficou com medo, e
eu disse para ele voltar. Eu poderia impedi-lo, mas não o fiz.
Tudo que eu tinha a dizer era eu te amo.” Em fevereiro de 2015, o estado de
Massachusetts indiciou Michelle Carter por homicídio involuntário,
uma acusação de homicídio que acarreta uma pena
máxima de 20 anos. A família da Michelle contratou o
advogado Joseph Cataldo. O julgamento começou
no dia 5 de junho de 2015, no Tribunal Juvenil do Condado
de Bristol, em Massachusetts. O tribunal preparou um questionário
para os jurados, que continha 13 páginas. A questão 43 perguntava: você acredita
que uma pessoa pode cometer um crime apenas por meio de palavras? Os jurados em potencial
haviam se reunido, quando Cataldo executou
uma reviravolta surpreendente no caso. A Michelle havia renunciado
o seu direito a um júri. A decisão colocou todo o poder do
caso das mãos do juiz Lawrence Muniz, um ex-professor de inglês
do ensino médio. Então, ele perguntou à Michelle: “Você está
fazendo isso por sua própria vontade?”… Ela olha para o seu advogado,
que acena que sim com a cabeça, então ela responde: “Sim, meritíssimo.” Para condenar a Michelle
por homicídio culposo, a promotora assistente Katie
Rayburn teve que convencer o juiz de que uma pessoa razoável
saberia que suas ações poderiam causar ferimentos
substanciais ou até morte. Então, o Estado começou
avaliando a tentativa de suicídio que o Conrad já havia feito em 2012, e à princípio, isso pareceu
ajudar no caso da Michelle, porque isso mostrava que ele já planejava
cometer suicídio, independente da Michelle. Porém, a promotora disse
que naquela ocasião, em 2012, o Conrad fez uma ligação para um amigo,
que o convenceu a não cometer suicídio… E 2 anos depois, ele também
fez uma ligação para outro amigo, que dessa vez foi a Michelle. Então, baseando-se em parte nas mensagens
coletadas no telefone da Michelle, a promotora disse que ela era
uma garota solitária e calculista, que matou um garoto para chamar
a atenção das suas outras colegas. A promotora disse
que suas testemunhas, ex-colegas de classe da Michelle,
não tinham tempo para ela. A explicação era que elas tinham mais
responsabilidades do que a Michelle, que era uma garota muito privilegiada, porém impopular na escola,
que vivia em fantasias. Nas mensagens de texto,
a Michelle tratava Samantha Boardman como sua melhor amiga. Porém, em depoimento, a Samantha
disse que sua melhor amiga era Lexie Eblan, que concordou. A Samantha e a Lexie dormiram na
casa da Michelle na semana do suicídio, então eles perguntaram se havia
alguma lembrança em particular que se destacou naquela
noite, e elas disseram que não. Então, a promotora começou a relatar
os acontecimentos do dia 10 de julho. Às 3:00 horas da tarde, a Michelle
mandou uma mensagem para a Samantha, dizendo que o Conrad estava desaparecido
e que ninguém sabia aonde ele estava. Menos de 3 horas depois, ela manda
uma mensagem para a Lexie dizendo: “O Conrad está desaparecido, eles
não conseguem encontrá-lo em lugar nenhum.” Por volta das 11:00 da noite seguinte,
a Lexie pergunta para a Michelle se o Conrad havia sido encontrado. Três minutos depois, a Michelle manda
uma mensagem para o Conrad dizendo: “Me avise quando você vai fazer isso.” Dois minutos depois, ela
respondeu à Lexie: “Não, ainda não. Estou perdendo todas as esperanças
de que ele ainda esteja vivo.” Ou seja, para vocês
entenderem essa parte… Pelas mensagens no dia 10, o Conrad ainda
estava falando sobre cometer suicídio, ele estava pensando sobre isso…
Ele só foi fazer isso mesmo no dia 12. Então, no dia 10, ele estava
conversando ainda com a Michelle e ela disse à Samantha e à
Lexie que ele havia desaparecido e que ninguém sabia aonde ele estava. Porém, ela estava conversando com
ele ainda, então ela inventou isso. Então, segundo a promotora, o
objetivo da Michelle era chamar atenção. E com a morte do Conrad, ela
conseguiria essa atenção que tanto queria. Por isso que ela ficava mentindo para as
amigas, porque aí elas ficaram preocupadas, ficariam conversando com ela,
ficariam preocupadas com ela também. Então, no dia 12 de julho,
o Conrad estava bem confuso. Então, a Michelle disse:
“Você só precisa fazer isso, Conrad, ou eu vou buscar ajuda.” E aí, ele
respondeu: “Eu vou fazer isso hoje.” E ela pergunta: “Você promete?”.
“Eu prometo. Para onde eu vou?”. “Você não pode quebrar uma promessa,
vá para um estacionamento silencioso”. Às 7:12, a Michelle liga para o Conrad, os telefones ficam conectados
por 46 minutos e 35 segundos. A promotora anotou que leva cerca
de 15 minutos para uma pessoa morrer por envenenamento
de monóxido de carbono, e que o telefone do Conrad foi recuperado
no caminhão com a bateria descarregada. Portanto, o Conrad deve ter morrido
durante a segunda ligação com a Michelle. Porém, já na manhã seguinte, a Michelle
mandou uma mensagem para ele perguntando: “Você fez alguma coisa?
Conrad, eu te amo tanto, por favor, me diga
que isso é uma piada. Lamento não ter achado que você
estava falando sério, preciso de você. Por favor, responda. Vou buscar
ajuda e você vai ficar melhor, nós vamos passar por isso.” Enquanto ela estava
mandando essas mensagens, já faziam 12 horas que
o Conrad estava morto. E segundo a promotora, todas
essas mensagens que ela mandou parecendo super preocupada, como se ela
não achasse que ele estava falando sério, foram mensagens que ela enviou
simplesmente para encobrir tudo. Só que aí, dois dias depois, a Michelle
manda uma mensagem para Samantha com uma nova versão da história.
Ela diz entre aspas: “Eu estava falando com ele enquanto
ele se matava, ouvi-o chorar de dor. Eu deveria saber que eu deveria
ter feito alguma coisa.” E aí, a Samantha respondeu:
“Não é sua culpa.” No julgamento, a promotora fez uma
declaração final que levou várias pessoas que estavam presentes às lágrimas. Ela disse: “Ele continuou a
pesquisar sobre suicídio? Sim. Ele tinha perguntas, ele estava
tentando superar as coisas. Não temos uma ficha limpa todos os dias. As coisas que aconteceram nos
dias anteriores carregamos conosco, mas todos os dias temos uma nova
oportunidade para começar de novo.” Já na segunda
semana de julgamento, a advogada da Michelle começou
com uma inversão da história, dizendo que um garoto chamado Conrad
arrastou uma garota chamada Michelle para um turbilhão suicida. O advogado citou pesquisas na internet
feitas no computador do Conrad, como: suicídio por policial, maneiras
de morrer por afogamento… Então, ele lembrou que a suposta criminosa
não estava nem perto da cena do crime. Ele também questionou a
legitimidade das acusações. Massachusetts não tem nenhuma lei
criminalizando o suicídio. Então, ser cúmplice de uma
atividade ilícita não poderia ser crime. Embora a liberdade de
expressão tenha certos limites, não se pode fazer
ameaças verdadeiras. E segundo ele, a Michelle
não ameaçou o Conrad. Então, no dia 12 de junho,
no julgamento, o advogado da Michelle apresentou
uma única testemunha significativa, que era o Peter Bregging,
um médico de 81 anos, que frequentemente presta
testemunho de especialista em casos envolvendo
psicofarmacologia. O Peter propôs uma teoria que
chamou de intoxicação involuntária. Ele disse entre aspas: “Michelle Carter foi a pessoa mais
amada que alguém já conheceu, ela sempre quis ajudar as pessoas. Quando ela estava ajudando, ela estava
sendo Michelle em um nível muito intenso.” Em abril de 2014, um médico prescreveu
5 mg de antidepressivo para ela. A droga, segundo Bregging,
contorceu sua natureza de ajuda, até que ela se convenceu de
que estimular o suicídio do Conrad era em si uma forma de ajuda. O pai da Michelle disse
entre aspas: “Estou convencido de que a medicação que ela estava
tomando afetou o seu estado mental, o que tornou difícil para ela distinguir
o que era certo e o que era errado.” As mensagens de texto da Michelle constituíram grande parte
das evidências contra ela. Ele se declarou inocente, mas a promotoria alegou que ela
ainda deveria ser responsabilizada por homicídio culposo. Eles disseram que
os textos constantes constituíam conduta irresponsável ou
imprudente, resultando em uma morte ilegal. No dia 16 de junho de 2017,
foi o dia do veredito. Não havia nenhum lugar vazio
na sala do tribunal. O juiz disse entre aspas: “Se Conrad teria tirado a vida em um
outro momento, não controla o mesmo, informa a decisão deste tribunal. Sabendo que Conrad estava no carro,
Michelle não tomou nenhuma atitude, ela não ligou para a polícia
ou para a família do Sr. Roy. Ela não notificou
sua mãe ou sua irmã, embora apenas alguns dias antes ela tivesse
solicitado os seus números de telefone. E finalmente, ela não deu uma
instrução adicional simples, que seria: ‘Saia da caminhonete’.” Consequentemente, disse ele: “A omissão de Michelle em agir
onde ela tinha um dever autocriado, constituiu toda e qualquer
conduta irresponsável e imprudente”. Quanto ao Bregging, que foi a
única testemunha a favor da Michelle, o Muniz disse: “O tribunal não
considerou essa análise confiável.” O advogado da Michelle argumentou que
ela realmente tentou convencer o Conrad a não acabar com sua vida, ao invés
disso, encorajou-o a buscar ajuda. Então, ele alegou que
nada que a Michelle fizesse poderia ter mudado a
determinação do Conrad de se matar. Porém, concluiu-se que a Michelle
tinha o dever de aliviar o risco. Então, essa suposta falha
causou a morte do Conrad e ela foi considerada culpada
de homicídio involuntário. A Michelle tinha 22 anos.
Então, no dia 3 de agosto, o juiz a condenou a
2 anos e meio de prisão. O caso dela foi o primeiro caso em que
alguém foi condenado por homicídio culposo pelo uso de suas palavras. Tem uma reportagem feita
pelo jornalista Jesse Barron, que eu usei bastante
como fonte de pesquisa, então ele entrevistou várias pessoas que
conheceram a Michelle, familiares, enfim… É uma reportagem gigantesca! E durante reportagem, ele faz
algumas comparações a filmes, a séries, coisas de ficção. Então, ele compara que talvez a
Michelle realmente estivesse achando que aquilo não estava
realmente acontecendo, como se na cabeça
dela fosse tudo ficção e também tem várias
entrevistas durante a reportagem. E apesar de eu ter colocado
bastante coisa neste vídeo sobre o julgamento, está ainda mais
detalhado nessa grande reportagem, eu vou deixar o link na descrição
para quem quiser ler um pouquinho mais e saber um pouco mais da visão
do jornalista, que é bem interessante, vai estar aqui… E sobre as últimas mensagens que
a Michelle mandou para o Conrad, uma era perguntando
se ele realmente faria isso, e na outra ela fazia todas aquelas
perguntas parecendo muito assustada, onde ela dizia: “Eu não acredito
que você realmente fez isso, você está me assustando,
me responde…” Pela mensagem que a Michelle
mandou para a amiga dela, ela contou que na última
ligação, ele ficou muito assustado, ele saiu da caminhonete e ela o
mandou voltar para a caminhonete. E aí, após essa
última ligação dos dois, a Michelle ligou para o Conrad
28 vezes, em horários diferentes. Então, no ponto de vista do jornalista
dessa reportagem que eu falei para vocês, ele diz que não consegue entender
ou ligar todas essas ligações a mais que ela fez depois para o
Conrad para um plano premeditado. Ele diz que eles pareciam desesperados,
pareciam frenéticos e perdidos. Então, eu achei um ponto de vista
interessante para colocar aqui no caso para analisar e vocês chegarem na
própria conclusão do que vocês acham, se a Michelle realmente premeditou tudo, se ela sabia muito bem o que ela
estava fazendo e se ela fez de propósito, como a promotora disse,
para conseguir atenção, a atenção que ela não
sabia como conseguir, ou se ela realmente não tinha noção
de que aquilo era uma coisa séria, ou que ele realmente
chegaria a fazer aquilo, já que ela também tinha vários problemas,
os dois tinham muitos problemas… Ela tomava antidepressivo,
tomava vários medicamentos… Então, há uma possibilidade de
que ela realmente no momento não conseguisse entender
que aquilo era real, e por isso que ela mandou as mensagens
desesperadas depois perguntando a ele o que ele tinha feito, se ele
estava bem, para ele responder… E aí, ter feito todas essas
ligações que eu falei, que foram várias em
horários diferentes, até que ela começou a mandar
as mensagens para a família dele. Então, eu decidi colocar esse
ponto de vista aqui para vocês pensarem. Discutam aqui nos
comentários o que vocês acham, se vocês acham que ela foi realmente
culpada pela morte dele ou não. A Michelle inicialmente cumpriu sua
pena no estabelecimento para adultos da County House of
Correction, em Bristol. Ela cumpriu 11 meses
dos 15 da sua sentença e ela permanecerá em liberdade
condicional por 5 anos depois de ser solta. Ela já foi solta em janeiro deste ano e as condições da liberdade
condicional da Michelle indicam que ela não pode lucrar
com publicidade em cima do seu caso, de forma alguma, nos próximos 2 anos. Porém, depois desse período ela
pode, se quiser, lucrar com o caso. Tem um documentário da HBO
chamado “I Love You, Now Die”, que fala sobre o caso, e também
recentemente saiu uma notícia que vai ter uma série inspirada
no caso, pela emissora Hulu, que foi a mesma que produziu a série
inspirada no caso de Dee Dee & Gypsy, que eu já comentei com vocês. O nome da série vai ser
“The Girl From Planeville” e a atriz Elle Fanning
vai interpretar a Michelle. E por conta de todas essas
notícias que saíram esta semana e na semana passada sobre a série, vocês me pediram muito para
trazer esse caso aqui para o canal. E é interessante também,
porque eu já conhecia esse caso e eu comecei a fazer a pesquisa dele,
fiz até a metade do caso, mais ou menos… E aí, eu me interessei por outro caso
e decidi fazer esse outro caso antes e acabei deixando esse caso de lado. Então, eu retomei a minha pesquisa
da metade para trazer para vocês. Vai ter vários aqui links na
descrição para vocês… Para quem conseguir assistir o
documentário da HBO, que eu não consegui, me conta se é bom
aqui nos comentários… É um caso que é recente, é um caso
que eu acho bem delicado pelo tema dele, então eu quero muito
saber o que vocês acham, se a Michelle foi realmente
culpada pela morte do Conrad ou não. Deixem aqui nos comentários,
vamos conversar aqui… E esse é um caso que eu acho
que o tema todo é muito delicado. Então, eu quero muito
saber o que vocês acharam, se vocês acham que a
Michelle foi culpada ou não, deixa aqui nos comentários. Não esquece de deixar o like no
vídeo, que me ajuda muito na divulgação. Então, deixa o like. Se inscreve aqui embaixo, se você
ainda não está inscrito se inscreve, tem vídeo novo toda quinta-feira… Me acompanha nas redes sociais que
eu vou deixar aqui na tela para vocês, vão me acompanhar por lá… E é isso gente. Eu vejo vocês
no próximo vídeo.

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