junho 14, 2024

Avaliando uma redação feita para o ENEM

Avaliando uma redação feita para o ENEM 1

♪ [juntas] An… Oi, gente.
Tudo bem com vocês? [Débora] Enfim, o comeback do canal. Você sabe que eu estou
sem gravar vídeo desde maio, né? O canal voltou, com um vídeo
que tá sendo pedido, prometido. A gente veio até gêmeazinhas.
Desde março! Porque trouxe aqui a minha irmã,
Ana Raquel a estrela do vídeo de hoje, pessoal. Pra falar da… Pra ler a redação
que ela fez no último ENEM. Ela tirou 940.
Nós vamos ler a redação dela ela vai explicar o que ela fez
em cada parágrafo e tudo mais. Eu também pedi pra duas professoras corrigirem a sua redação
e encontrarem os erros. Aí a gente vai estudar bem essa redação.
E é isso, pessoal. Você quer falar alguma coisa?
Quer falar um pouco da sua jornada? O que você
fez com esse notão que você tirou? [Ana] Teve bastante que me acompanhava,
principalmente no Instagram, né. E ficou muito confuso, porque eu tenho
o costume de aparecer a cada seis meses. [Débora] A Ana é uma péssima blogueira.
[Ana] Pra dar alguma satisfação. E aí, todo mundo ficou muito confuso. Porque a cada seis meses
tem alguma coisa nova na minha vida. Mas enfim,
ao longo da pandemia, 2020 eu fui pesquisar
mais a respeito do curso de Medicina percebi que não era
muito o que eu esperava eu tinha uma
visão muito romantizada sobre a coisa. E eu não gostava mesmo do curso. Então, acabei desistindo da Medicina,
né, optando por outro curso. E aí, eu fiquei
em dúvida entre Direito e Veterinária. Aí eu fiz o ENEM de novo, né.
Primeiro joguei, em 2021, pra Direito. Cheguei a passar, só que resolvi:
“Não, não, não, vou fazer Veterinária”. [rindo] E aí… [Débora] Indecisa.
Mas a Ana chegou a cursar Veterinária. [Ana] Cheguei. Aí eu passei
em Veterinária no meio de 2021. Passei na UFLA. E aí, depois eu fiz o
ENEM, no final de 2021, com essa nota… [Débora] Passou na UFMG.
[Ana] Passei na UFMG. [Débora] Fez Veterinária na UFMG.
[Ana] Um semestre inteiro. Passei, tá?
Passei em quase todas matérias. Eu só não passei em CHG.
Mas assim, todos temos defeitos. Mas eu percebi no curso…
Eu não estava gostando do curso, né. Não estava gostando das aulas,
não estava gostando das matérias. E aí, eu resolvi pesquisar mais,
dentro do curso possibilidades de trabalho depois.
Porque assim, eu adoro animais, tal. Então eu pensei “não, quero fazer
Veterinária pra mexer com bicho”. Aí eu percebi que Medicina Veterinária
tem Medicina antes, né. E Medicina
era um curso que eu tinha desistido. [Débora] Gente, o resumo da história é:
a Ana Raquel, minha irmã, queria Medicina. Ela sempre tirou as maiores notas
na família, muito maiores do que eu. Porque a Ana,
além de ser boa em Ciências Humanas a Ana é boa também em Matemática,
essas outras coisas, né, gente. E no ano que ela tirou a maior nota dela que dava pra ela ter passado
em Medicina, ela falou: “Hum-hum, Medicina não,
quero Veterinária”. Fez Veterinária, não gostou de
Veterinária e agora está fazendo Direito. [Ana] É.
[Débora] Numa faculdade particular. E vai ver o que vai ser agora. Enfim, tudo isso pra falar que a Ana
se saiu muito bem no último ENEM está agora cursando Direito,
gostando do curso que ela faz. Graças a Deus,
uma pessoa de Humanas na família. [Ana] Eu estou amando, gente. [Débora] E agora a gente vai ler a
redação dela, que ela fez no último ENEM com aquele tema terrível,
das pessoas que não têm documentação. Qual era o título formal do tema?
[Ana] Eu ia te perguntar isso. [Débora] Vou pegar aqui.
[Ana] Era… [ambas] Invisibilidade e registro civil. [Débora] Então, a gente vai ler
a redação que ela fez sobre esse tema. “Invisibilidade e registro civil,
garantia de acesso à cidadania no Brasil”. Ela tirou 940 e perdeu ponto
em duas competências. Na gramática, que é a competência 1,
e na competência 4 que é a coesão textual. [Ana] Mas eu fiquei bem chateada,
porque eu perdi só 20 pontos. Normalmente eu não perco na 4. [Débora] É, mas eu vou te mostrar
exatamente o que você errou. Que eu coloquei
duas corretoras pra lerem a redação. ♪ Então, pessoal,
antes da gente começar a ler a Ana usou bastante
os textos motivadores. E como foi um tema muito difícil,
ela vai dar uma comentada os textos vão aparecer
na tela e ela vai dar uma comentada de como ela usou esses textos,
até pra ajudar vocês a praticarem. E tem um vídeo mais antigo da Ana
aqui no canal também fazendo
uma redação enquanto grava o vídeo e comentando passo a passo, tá? A Ana usa um método diferente
do meu de fazer redação. Então é bem legal, pode ajudar vocês. [Ana] Eu li o tema da redação
e eu não entendi nada. Eu olhei, aí eu fiquei…
“O que é invisibilidade? Não sei”. Aí, a primeira coisa
que eu faço é ler o texto motivador. Porque ao ler ele,
eu vou ficando mais calma porque eu vou entendendo mais ou menos
o que eles estão querendo de mim. O texto 1 é um texto mais literário, né. E assim, ele tá falando, basicamente “ai, muito ruim você se sentir
uma pessoa invisível na sociedade”. Então, aqui, o que dá
pra extrair do texto 1? Ah, um malefício, uma consequência
negativa, algo a ser evitado. Então, isso aqui é uma coisa. No texto 2, eu já vi que
tinha dados pra eu usar, né. Tinha quantidade de pessoas
sem registros de nascimento. E isso aí já é dado que
você pode colocar, sim, no seu texto. Porque no texto, gente, na redação você não pode copiar
os textos motivadores na íntegra, né. Não pode! Mas você pode pegar dados dele e usar,
como uma forma de argumentação. Não baseie todos os seus argumentos
nos textos motivadores também. Traga alguma coisa de fora
pra ser considerado na competência… [Débora] Dois.
[Ana] Dois, dois. Eu não lembro mais… [Débora] Compreender
a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas
do conhecimento. [Ana] É, porque se você
só usar coisa dos textos motivadores você perde na competência 2. [Débora] Você não pode copiar
palavra por palavra. Mas você pode usar
os dados com as suas palavras, entendeu? [Ana] É, então assim,
quando tem gráfico quando tem dado, estimativa,
tudo isso você pode usar. Aí você aplica no seu texto. Aí, no texto 2
eu já vi que tinha dados pra eu usar. E também tinha uma coisa muito
importante, vou até parafrasear aqui. “Só que o problema persiste,
mostrando que essa exclusão é complexa e não se aplica apenas
pela dificuldade financeira em pagar pelo registro, por exemplo”. Isso aqui foi muito importante pra mim,
por quê? Eu ia problematizar… [Débora] Você falou isso
no texto com outras palavras. [Ana] É, que eu
ia problematizar a questão de que… Ah, as pessoas não fazem, porque tem
que pagar o cartório pra fazer. Só que quando eu li essa frase, eu falei:
“Ah, então não posso mais usar isso”. [Débora] É, que é de graça.
[Ana] Aí, nisso, eu já… Tipo assim, à medida
que você vai lendo os textos motivadores eu já vou construindo um texto
na minha cabeça, sabe? Aí, o texto 3 tá falando… a importância
de se ter um registro de nascimento. Porque isso aqui foi muito importante
pra mim, porque eu não tenho filho. [Débora] A gente não sabe
qual a importância de ter documento, né. Se você tá fazendo ENEM,
você tem documento. Então a gente não sabe
o que uma pessoa que não tem registro
vai passar de dificuldade na vida. Aí esse texto 3 explica
que você consegue pegar benefício você não consegue ter seus documentos você não consegue,
sei lá, fazer coisa no cartório… [Ana] É, tipo assim… Pra mim, quando você tinha um filho
no hospital, eles já registravam… [Débora] É, eu também achava.
[Ana] Eu fiquei, realmente, muito confusa. E o texto 4 é só uma campanha
governamental, eu não extraí nada daí. Assim que eu termino
de ler os textos motivadores eu já faço o esqueleto da minha redação. Eu tenho um vídeo com a Débora mostrando
como eu faço esqueleto de redação. Eu sempre faço todos bem igual, assim. Eu normalmente uso aquela última página
do ENEM, que fica em branco, sabe? A contracapa.
Uso ali, faço meu esqueleto todo ali. [Débora] Então vamos começar a leitura. “No filme Cegonhas
é narrada a história de Tulipa uma jovem que nasceu e cresceu
em uma empresa transportadora. Ao atingir a adolescência,
ela começa a questionar seu passado e sente-se invisível ao descobrir
que não possui registro ou família. Infelizmente, a narrativa de Tulipa assemelha-se à realidade
de vários brasileiros na medida que, por falta
de conhecimento da importância do registro por parte de seus pais,
não recebem sua certidão de nascimento impedindo a retirada de outros documento o acesso a benefícios
governamentais e sua plena cidadania”. [Ana] Então, o meu primeiro parágrafo…
[Débora] Amei a alusão ao filme Cegonhas. [Ana] Obrigada, foi a única coisa
que eu consegui pensar. Porque assim que eu olhei
os textos motivadores, eu já pensei: “Gente, eu tenho que achar alguém
na história do cinema, da literatura dos famosos, qualquer pessoa
que não tenha um registro”. Aí eu fui pensando, pensando, pensando. [Débora] Você pensou bastante pra
chegar nesse filme, né? Um filme antigo. [Ana] Não, mas Cegonhas, o desenho.
[Débora] Ah, mas é de 2017 esse filme. Não é tão recente assim. [Ana] É, só que eu tinha visto
na mesma semana. [Débora] Ah!
[Ana] Eu gosto muito de desenhos. Eu vi ele na Netflix.
[Débora] Foi Deus. [Ana] Foi Deus me falando.
Aí, assim… Quando eu não consigo pensar nada,
eu invento alguma coisa, tipo, de Friends. Porque é uma série gigantesca,
ninguém viu todos os episódios. Então, eu invento. E corro com a sorte.
Mas nesse eu consegui pensar… Não me julga. [ri]
[Débora] Não vou falar nada. [Ana] Aí eu pensei
em que série que tinha alguma pessoa que não tinha
sido reconhecida de alguma forma. Porque às vezes eu podia usar uma alusão que não fosse necessariamente uma pessoa
não registrada. E aí, eu lembrei desse caso da Tulipa. É um desenho muito fofo,
gente, chama Cegonhas eu chorei no final, juro por Deus.
[Débora] É muito lindo mesmo. [Ana] É muito lindo.
E aí, nele… Assim, não é exatamente
o que eu escrevi que acontece. Qual é a melhor forma de você usar
uma alusão de um filme ou uma série? É você pegar o que acontece
e moldar pra caber nos seus argumentos. Então, eu peguei.
O que acontece? Ah, a Tulipa é uma bebê. [Débora] É uma órfã que foi
adotada pelos animais, pelas cegonhas. [Ana] A cegonha que ia entregar,
ela se perdeu… [Débora] Que ia entregar o bebê,
se perdeu e ela ficou lá. [Ana] E ela ficou na esperança
de cegonhas. E eu virei e falei… Ao invés de falar isso,
eu vou pegar essa história da Tulipa e falar “ah, ela nunca foi registrada”.
Entendeu? Porque aí você pode
usar ela como um exemplo perfeito. E isso vale pra todos os temas. Às vezes você não consegue pensar,
por exemplo, em direito da mulher. Você não consegue pensar em um caso
específico na hora, você tá nervoso. Você pode pegar,
por exemplo, a Padmé, do Stars Wars. Ela foi uma das primeiras mulheres da
República a estar no Senado, entendeu? Um grande exemplo…
Entendeu? É isso que acontece mesmo? Esse é o foco da história dela? Não, o foco da história
dela é outro dentro do Star Wars. Mas você vai pegar e ela
e vai moldar do jeito que você quiser pra caber na sua narrativa. Porque desse jeito, você
consegue usar qualquer coisa, entendeu? Não necessariamente tem
que estar direitinho, com a história. E aí, eu pensei na Tulipa. Aí, a primeira frase
de todo texto meu sempre segue esse… [Débora] Sempre começa com uma alusão.
[Ana] Sim, sempre começa com uma alusão porque eu já mato
a competência 2 no início do texto não tem que preocupar mais com ela.
Aí eu comecei: “No filme…” É sempre assim, gente.
Eu começo com essa mesma frase: “No filme”… alguma coisa. “É narrada a história da”…
Nome do personagem. “Em que”…
Aí eu dou um breve resumo. Aí o resumo do filme,
eu tento não passar de duas linhas. Porque eu escrevo muito.
[Débora] De alusão. [Ana] É, então
eu expliquei tudo em duas linhas, tá? [Débora] Gostei, gostei.
[Ana] Aí, ponto. Aí eu falo ou “infelizmente”
ou “felizmente”. Eu sempre começo a frase com
“infelizmente” ou “felizmente”. Vírgula. [Débora] Aham. [Ana] Porque depende do que quero falar,
se é uma coisa positiva ou negativa. “Infelizmente,
a narrativa da Tulipa se assemelha à realidade de vários brasileiros”. Ou “felizmente,
a narrativa de tal personagem se assemelha a realidade
de vários brasileiros”. Eu sempre uso essa frase!
[Débora] Então, a sua construção é: No filme (nome do filme) é narrado a história de (nome do
personagem, a situação do personagem). Felizmente ou infelizmente,
a narrativa do personagem se assemelha à realidade
de vários brasileiros. [Ana] Entendeu?
Porque… o que acontece? Qual é o maior problema que
as pessoas enfrentam em alusão? Histórica, ou de filme, qualquer coisa. É você conseguir pegar isso e mostrar pro corretor
que você tá relacionando isso… [Débora] Com o tema.
[Ana] Com o tema. E qual é o melhor jeito de você mostrar que você tá relacionando isso
com a realidade do Brasil? Literalmente escrever com essas palavras. “Infelizmente, a narrativa da Tulipa se
assemelha à realidade dos brasileiros”. Não tem como você ler essa
frase sem entender de outro jeito senão que eu tô fazendo
uma alusão com a realidade do Brasil. [Débora] Perfeito.
[Ana] Entendeu? Então assim,
o melhor jeito de você garantir ponto é escancarar na cara do corretor:
“Olha, eu estou querendo dizer isso”. Aí eu falei: “Na medida em que,
por falta de conhecimento…” Aí, a partir desse
“na medida em que, vírgula” eu já coloco qual vai
ser minha tese do texto. [Débora] É, porque você
falou aqui da falta de conhecimento. Então, a sua argumentação
é que as pessoas não fazem o documento por falta de conhecimento. Por não saber que é importante,
deixam de fazer. [Ana] Sim. Porque o meu pensamento
inicial era: “Ah, por falta de dinheiro”. Aí eu pensei: “Não,
por falta de dinheiro não tá sendo”. Aí eu pensei, gente…
Você não vai ver uma pessoa com um alto poder aquisitivo deixar
de registrar o seu filho. Quem costuma deixar? São as
camadas menos favorecidas da população. Não é por falta de dinheiro,
então é por falta de conhecimento. A pessoa não tem estudo…
[Débora] Se é de graça, né. [Ana] É, uai. Se é de graça,
ou é pouco difundida a informação. Ou a pessoa não teve um acesso muito
bom à informação ao longo da sua vida. Então, eu coloquei essa tese.
E aí, eu comecei: “Ah, por falta de conhecimento
da importância do registro não receberam sua
certidão de nascimento”. Eu coloquei uma causa pro problema,
que é a falta de conhecimento então eu ia ter que colocar
uma consequência, qual é a consequência? [Débora] “Por falta de conhecimento,
não recebem sua certidão de nascimento impedindo retirada de outros documentos,
acesso a benefícios e sua plena cidadania”. Ou seja, eu literalmente
copiei toda consequência do texto 3, se eu não me engano. É.
Sabe? Tipo assim, eu não sabia
absolutamente nada desse tema. Aí, a alusão eu tirei da minha cabeça
e moldei pra caber no tema. A problemática estava
nos textos motivadores. A causa do problema,
eu também tirei da minha cabeça de falta de conhecimento. E as consequências eu tirei,
literalmente, dos textos motivadores só que eu escrevi com as minhas palavras,
então não tem problema, entendeu? Então assim, um tema que eu não sabia
absolutamente nada, eu fiz dessa forma. [Débora] Tirou leite de pedra.
[Ana] Sim. E aí, você consegue fazer isso
com qualquer tema. Literalmente,
essas duas primeiras frases minhas você pode copiar
e vai caber em qualquer tema. E ela te ajuda muito a aplicar sua alusão,
histórica, literária, qualquer que seja nos seus textos, de forma
que não cause confusão aos corretores. [Débora] Agora vamos ler
o segundo parágrafo. “Como consequência da falta de
registros, muitos direitos são perdidos incluindo o direito à cidadania,
a sentir-se cidadão. Assim como Tulipa, brasileiros
sem sua existência reconhecida pelo Estado
sentem-se sem valor e ignorados. Além do impacto ao
senso de importância pessoal a falta da certidão de nascimento dificulta
o acesso a diversos aparatos estatais os quais são direito de todo cidadão. Sem ela, não é possível
retirar outros documentos civis como carteira de trabalho ou identidade. E sua falta também impede
a matrícula da criança na escola e recebimento de benefícios sociais”. [Ana] O segundo parágrafo inteiro eu
tirei do texto 3, dos textos motivadores. Porque eu tô falando
quais são as consequências primeiro. Eu tô falando: “Olha, por que
é importante você fazer esse registro? É importante porque,
se você não fizer você tem todos
esses malefícios em compensação”. Todos esses aqui, eu só citei e
eu não expliquei porque eles são ruins. Porque esses, no caso, eles são óbvios.
Ah, você não vai ter acesso à educação você não vai ter acesso
a um trabalho regular você não ter acesso
à uma identidade, entendeu? São malefícios óbvios. Mas se fosse
um malefício não muito óbvio, tipo… [Débora] Não conseguir creche, não
conseguir colocar a criança na creche. Que é algo que também… a mãe também
perde benefício junto com a criança. [Ana] Nesse caso, se fosse
focado na criança, ia até ser óbvio. Porque, pô, a criança
não tá tendo acesso à creche. Mas se fosse focado na mãe,
não ia ser tão óbvio. O que a creche afeta
a vida da mãe ou não? Aí, nesses casos que não é óbvio,
você dá uma explicadinha. Tipo, a criança
não vai ter acesso à creche, vírgula…. [Débora] Nesse caso é óbvio, porque
você não consegue carteira de trabalho então você não trabalha,
você não consegue matricular na escola então você não estuda. [Ana] Então assim, um asterisco que
eu gostaria de deixar de… Eu não expliquei porque isso
aqui é tudo muito ruim, porque é óbvio. Mas se não for óbvio, explique.
Na dúvida, explique. Como isso é óbvio, eu não expliquei. [Débora] Uma das corretoras
que eu enviei a redação da Ana disse que, talvez, um pouco
do que você perdeu da competência 4 foi porque você falou
“muitos direitos são perdidos incluindo o direito à cidadania,
a sentir-se cidadão”. Direito à cidadania… Tipo assim, ela falou que foi redundante
você falar “a sentir-se cidadão”. Mas enfim, vamos prosseguir.
Terceiro parágrafo. “Portanto, ao observar os malefícios
da falta de registro de nascimento deve-se questionar qual a causa
de tal persistente problema no Brasil. Uma das possíveis causas seria a
dificuldade financeira em pagar o registro. Levando a Lei 9.534, de 1997, que tornou
o registro gratuito, a ser criada. Porém, dados do IBGE
de 2015 mostram a estimativa de pessoas sem registro de nascimento acima de
um milhão, apenas na região Sudeste. Comprovando que a lei de 1997 não
foi suficiente pra solucionar o impasse. E que a dificuldade financeira não é
a causa única do problema. Outra possível causa
da falta de registro é a ignorância quanto à importância
de se obter o tema da certidão podendo levar tal ato a ser
desconsiderado pelos pais da criança. Afinal, se não é conhecida a relevância do
registro, não há razão para se registrar”. [Ana] Nesse parágrafo eu fiz… [Débora] Esse foi
o parágrafo mais importante do texto. [Ana] E eu fiz, assim, uma… [Débora] Você colocou
o número da lei e tal. Isso você pegou dos textos motivadores. [Ana] É. Mas eu fiz uma malandragem
nesse parágrafo, pra ser muito sincera. Por quê? O único
argumento que eu tinha pra causa… Porque eu tinha falado
quais são as consequências então eu tinha que dar uma causa.
Era que… Ah, a pessoa não sabe
a importância de se registrar. Só que assim, eu já tinha destrinchado
a importância no segundo parágrafo. Então, se eu colocasse isso também
no terceiro, eu ia ser muito redundante. Aí, qual foi a malandragem que eu fiz? Eu pensei: ao invés
de só falar qual é a causa eu vou falar quais
eram as possíveis causas dar uma puxadinha pro lado do Governo,
que tentou resolver e falar “o Governo tentou resolver,
mas não deu muito certo porque ainda persiste,
talvez seja por causa disso”. Porque eu não ia ter
que explicar esse talvez porque eu já trouxe outros argumentos,
de qual era a outra possibilidade. [Débora] Basicamente,
você falou porque o problema persiste. [Ana] Sim. [Débora] Porque continua
sendo um problema. [Ana] Eu comecei falando…
[Débora] “É um problema por causa disso”. [Ana] A gente achava,
antes, que a causa era monetária. Por isso que a gente colocou a lei
número tal, que define que é gratuito. Mas dados, que eu peguei do texto 2,
mostram que o problema persiste. Portanto, a causa deve ser,
na verdade, falta de conhecimento. Porque se a pessoa não conhece… [Débora] Não sabe que é importante,
não vai registrar. [Ana] É.
Porque, literalmente, a única frase que eu tinha como
colocar é essa frase final. Só que eu não ia fazer
um parágrafo com uma frase só. [Débora] A frase final é: “Afinal, se não é conhecida a relevância
do registro, não há razão para registrar”. [Ana] E não tem como
você destrinchar essa frase porque eu já fiz isso
no segundo parágrafo. [Débora] Mas, basicamente,
sua argumentação foi: No segundo parágrafo, você falou porque
é importante ter a certidão. Ou melhor,
porque é ruim não ter o registro. E depois você falou porque, mesmo
sendo ruim, as pessoas não se registram. [Ana] Exatamente.
[Débora] Tá. Gosto. [Ana] Aí eu trouxe mais dados… Assim, esses dados,
por serem do texto motivador se eu tivesse trazido
só isso como área de conhecimento não ia ter sido considerado.
[Débora] Mas como você citou o filme… [Ana] E quando eu trouxe esse,
já é mais argumento pra pesar na minha competência 2, e garantir
que eu não vou perder ponto lá. [Débora] Perfeito.
Aí, parágrafo final agora. “Em conclusão, medidas
são necessárias para resolver o impasse. O Ministério da Educação deve realizar
uma campanha de conscientização por meio de cartazes e panfletos nas
vias públicas e nos transportes públicos. Nos cartazes e panfletos,
deve ser explicitada a importância do registro de nascimento
e os malefícios de não o possuir. Espera-se, com essa medida,
a garantia do registro civil e o consequente acesso à cidadania”. [Ana] Assim, campanha de conscientização
é uma coisa muito… eh… [Débora] Básica. Mas funciona! [Ana] E principalmente em textos que você
não tem a menor ideia do que falar… [Débora] É uma boa saída. [Ana] É,
porque não tem muito como errar. Não é algo que seu
corretor vai ler com gosto. Mas é algo que dá uma… [Débora] Porque assim, tecnicamente,
a conscientização resolve tudo. Mas, na prática, ela não resolve nada. Porque você sabendo das coisas,
você não erraria. Só que a gente erra mesmo assim.
[Ana] O que acontece? Você tá na redação do ENEM. Você não vai resolver o problema
do Brasil, você tá lá pra tirar nota. Então assim,
a lei do esforço mínimo, sabe, gente? Eu quero só tirar uma nota boa,
não quero resolver o problema do Brasil. [Débora] Percebe-se que ela fez
dois anos de cursinho, né, coitada. Tá fadigada.
[Ana] É. Porque assim… Eu vou gastar meu tempo de prova… Assim, o tempo que eu gastaria tentando
pensar numa proposta de intervenção que realmente resolvesse o problema
é tempo de eu fazer umas três,
quatro questões de matemática… De matemática não, do primeiro dia,
de humanas. Com aqueles textos grandes! Ah, não vou perder tempo, não.
Então, o que eu faço? Eu olhei, qual foi o problema…
A causa do problema. Isso que é muito bom de
você sempre fazer causa e consequência. Ou importância e persistência,
coisa assim. Por quê? O que tá causando esse problema todo?
Falta de conhecimento. Como eu resolvo falta de conhecimento?
Campanha de conscientização. Aí você já monta lá. No vídeo
com a Débora mostra eu montando. Mas o que eu sempre faço
no meu esqueleto? O meu último parágrafo,
meu quarto parágrafo o esqueleto, eu sempre monto assim. Meu esqueleto de redação,
eu divido os parágrafo por tópicos. Aí eu coloco lá o quarto tópico:
solução. Aí eu escrevo “agente, meio”… [Débora] Lembrando que pra tirar
total na proposta de intervenção… [Ana] Tem que ter cinco coisas: o agente, a ação, o modo/meio,
o detalhamento e a finalidade. Eu literalmente coloco
esses cinco tópicos. Aí eu vou colocar:
qual vai ser o agente? O Ministério da Educação. Qual vai ser a ação?
Campanha de conscientização. Modo/meio: ah, por meio de cartazes. Detalhamento:
os cartazes vão ficar em ônibus. Finalidade: resolver o problema X,
que eu criei. Então, literalmente, eu coloquei:
“O Ministério da Educação (agente) deve realizar uma campanha
de conscientização (ação), por meio…” Eu literalmente escrevo “por meio”. Porque eles não vão conseguir
negar que o meio está ali, entendeu? O meio, normalmente,
é a coisa que as pessoas mais esquecem. [Débora] E é um conectivo
que precisa ter no seu texto. [Ana] E que conta na competência 4.
“Por meio de cartazes e panfletos”. Detalhamento: “Nas vias públicas
e nos transportes públicos”. Ponto.
Aí eu coloquei mais um detalhamento que nos cartazes e panfletos devem
ser explicitados a importância do registro de nascimento
e os malefícios de não possuir. Ponto. “Espera-se…” Quando eu coloco “espera-se”,
ou “é esperado” algo assim,
você já coloca a finalidade, entendeu? [Débora] É o objetivo, né. [Ana] “…com essa medida,
a garantia do registro civil”. Literalmente,
eu coloquei o título, o tema da redação. “A garantia do registro civil
e o consequente acesso à cidadania”. [Débora] Gostei. [Ana] Sempre que
eu vou colocar a finalidade eu literalmente coloco o tema
da redação, porque não tem muito erro. [Débora] É, sim. E também porque o corretor vai ver
que você realmente não fugiu do tema. E aí, pessoal, a Ana tirou 940.
Ela perdeu ponto na competência 1 e na 4 que é o uso da Língua Portuguesa
na norma escrita, e a coesão textual. Eu enviei seu texto pra duas corretoras
pra encontrar esses erros e tal. E aí, você comeu muita vírgula e crases.
[Ana] Ah, eu… Eu tenho um problema
histórico com crase. Então eu sempre faço
todo meu texto tentando, ao máximo não utilizar crase,
porque eu sempre erro. [Débora] Aí, vai ficar aqui na tela,
pessoal, a correção da corretora com as crases,
vírgulas e tudo mais que a Ana comeu. E aí, a dúvida é:
onde que perdeu a coesão? Uma das corretoras falou que
pra você tirar total na competência 4 o seu texto precisa
ter pelo menos seis conectivos. Ele precisa ter
quatro conectivos interparagrafais, né. Um conectivo dentro
de cada um dos seus parágrafos. E dois parágrafos do seu texto
têm que começar por conectivos. Então, os dois parágrafos finais da
Ana começam com conectivos, né. “Portanto” e “em conclusão”. Só que uma das
corretoras falou que “em conclusão” eles consideram redundante
começar a conclusão com “em conclusão”. Uma das corretoras mencionou isso.
E a outra corretora mencionou que falta conectivo entre frases
na proposta de intervenção. Porque você usa o conectivo aqui,
“por meio de”. Só que não pra ligar
uma frase com a outra. [Ana] Ah, não sei…
Assim, eu sempre fiz a minha… Literalmente,
eu uso essa mesma frase há cinco anos. Eu nunca perdi na competência 4.
Foi o primeiro ano que eu perdi. [Débora] Talvez tenha sido também
a redundância do “sentir-se cidadão”. Mas enfim, essas foram as apostas,
as corretoras apostaram nisso. [Ana] Na competência 4, eu tirei 180.
O que significa isso? Dois corretores sempre
vão corrigir sua prova. Um deles me deu total na competência 4
e o outro me tirou um ponto, 40 pontos. Então, como não ficou muito destoante,
não pediram pra um terceiro corretor olhar só tiraram a média daquilo ali,
então eu fiquei com 180. Aí, assim, eu nunca
tinha perdido ponto na competência 4 admito que eu fiquei bem chateada
que eu perdi. Mas às vezes um só foi chato mesmo. [Débora] Você também repetiu muitas vezes
a palavra “causa” no parágrafo três. Você repete uma, duas, três,
quatro vezes a mesma palavra. [Ana] Hum… [Débora] E aqui também,
no parágrafo dois você repete “direitos” duas vezes
na mesma frase. Então às vezes foi essa redundância
também, da repetição de palavras. Então, muito provavelmente, foram esses
os seus erros, que levaram à sua nota. E é isso, gente.
Um vídeo gigante, né? Mas tirando aqui parágrafo por parágrafo
da redação da Ana. Parabéns pela sua nota.
[Ana] Obrigada. [Débora] Brilhou, tá?
Então era isso, pessoal. Pra quem quiser ver mais
vídeos com a Ana Raquel aqui no canal vou deixar o link na descrição. Mas a gente tem
lendo a redação dela do ENEM 2019. E tem também um vídeo dela
escrevendo uma redação, passo a passo. E tem alguns vídeos
de dica de estudo também, né. De matemática e coisas assim, então
vão ter mais vídeos aqui na descrição. Boa sorte no Direito, tá? Tenho certeza que as pessoas
vão mandar o seu apoio também. Muito obrigada pela presença.
[Ana] Ai, é sempre um prazer. Tem também nos meus
destaques do Instagram eu falo de algumas
redações que eu fiz ao longo do ano. Se vocês tiverem interesse… Assim, mesmo passando, eu não falo
mais sobre estudos no meu Instagram. [Débora] É, você vai continuar falando
sobre isso? Vai blogueirar e tal? [Ana] Não sei, eu tenho trauma com ENEM,
então não sei… [Débora] É, talvez a Ana
fale um pouco sobre a sua rotina agora na faculdade de Direito, né. [Ana] Sim, eu adoro fazer
vídeo estudando, porque… [Débora] Mas blogueira de pré-vestibular,
essa fase talvez tenha passado. Graças a Deus, né.
[Ana] É, porque assim… Só a Débora, realmente, pra ficar
falando de ENEM todo ano, porque… Passou o ENEM ali,
eu já apaguei tudo da minha mente. Porque assim, pós-trauma, entendeu?
Aquele stress pós-trauma. [Débora] Foram muitos anos
de vestibular, né. [Ana] Pra Medicina!
[Débora] Pra Medicina. [Ana] Não, gente, sério.
Teve vestibular da USP… São 90 questões, né.
Eu acertei 78, eu acho. [Débora] De 80?
[Ana] De 90. 78. Só que pra você conseguir passar pra
segunda fase, precisa, tipo, de 79, 80. [Débora] Ai, eu lembro disso. Mas você tinha passado pra segunda fase,
não passou? [Ana] Passei pra segunda fase
no segundo ano porque eu tava fazendo de treineiro. Que aí precisava só de 50%.
[Débora] Entendi. [Ana] Mas no terceiro ano, eu acertei
78 questões, precisava de 80. [ri] Eu chorei.
Mas tá tudo bem, tá tudo bem. [Débora] É uma vida cruel.
[Ana] É. Medicina é uma vida bem cruel. Todos os anos, eu tirava nota
pra passar em tudo, menos Medicina. [Débora] Entendi.
E aí, você fez dois anos de cursinho… [Ana] É.
[Débora] Mas assim… Mas quem quer Medicina…
[Ana] Conhecimento adquirido. [Débora] Faz parte da jornada, né. [Ana] Uma coisa que meus
professores do cursinho sempre falavam que não é uma questão de
se você vai passar em Medicina. É quando.
[Débora] É quando. [Ana] Tem gente que demora um ano,
tem gente que demora quatro. E assim, o curso de Medicina,
você vai entrar… E você entrou, você entrou, entendeu? Aí não importa se você entrou
com 17 anos, com 20, com 24, entendeu? Tem gente que com 50
vai pegar pra fazer uma outra faculdade. Na minha sala mesmo,
tá girando em torno dos 18 anos, tal. Eu sou, tipo, velha em comparação
com os meninos da minha turma. [Débora] A Ana tem 20.
[Ana] Eu tô com 20. Mas assim, tem gente
na minha turma que tá com 34. E aí? [Débora] Então não desistam, pessoal.
Não desistam. E espero que tenha ajudado, tá? Se vocês quiserem
a Ana mais vezes no canal podem deixar aqui nos comentários,
acompanhar. E é isso, pessoal.
[Ana] Se tiverem dúvidas, mandem. [Débora] Pode mandar.
Você tem que blogueirar mais, tá? [Ana] Tá bom.
[Débora] Muito obrigada pela presença. Não deixem de dar like no vídeo,
curtir, comentar, aquela coisa toda, tá? Um beijo e até a próxima. ♪

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